Piadas, piadinhas e comédia















"O que eu gosto é dos filmes para rir." anónimo

Há uma profissão, a mais antiga do mundo, que é a de fazer rir as pessoas. Abençoada profissão é essa. Não é muito difícil provocar umas gargalhadas, mas não é nada fácil fazer das gargalhadas profissão. Ignorando à partida todos os que vivem de peidos, piadas ordinárias, racistas, machistas, e outras escatologices do género, já não nos sobram muitos humoristas. Se desses retirarmos ainda os que se resumem às piadas faladas ficamos na mão com um reduzidíssimo número de pessoas das melhores que existem no mundo. São os cómicos. Os verdadeiros.


Esses não se servem de esquemas, mas sim do seu sentido de humor. São os primeiros a rir. São de todas as pessoas do mundo, as mais inteligentes. É preciso sê-lo para fazer uma coisa para a qual não há explicação. O que é que faz rir as pessoas? A única resposta a isto é de La Palice: as coisas engraçadas. Ou se é engraçado ou não se é. O que faz com que seja uma profissão assaz complicada. Porque o que é engraçado à hora de almoço já não tem piada à hora de jantar. Tem piada uma vez, duas e depois chega. Todos nós já ouvimos isso quando repetimos um esquema que, normalmente nem sabemos como, funcionou uma vez.


Herman José é o nosso exemplo mais próximo e óbvio. Foi um cómico, hoje é um profissional da TV sem piada nenhuma. O que não lhe tira o mérito pelas gargalhadas de outros tempos - e as de agora quando voltamos a ver algumas das suas coisas. Mas os cómicos não costumam ficar para a história. Os seus feitos são retroactivos. Quem quer saber agora que o não sei quantos fez rir muito em 1487? Óptimo para quem se riu dele e óptimo para ele que fez rir os outros!


Com o aparecimento das imagens gravadas é claro que o caso muda de figura. Porque podemos ver o Buster Keaton e rir com ele. As glórias passadas são glórias eternamente presentes - quando o são, porque muitos cómicos do princípio do cinema não resistiram à passagem do tempo.


O mesmo se passa com outros actores, os das tragédias e dos filmes nem sim nem sopas. Mas o que é interessante é que a comédia é o mais popular dos géneros, o que chama mais gente aos espectáculos (e à tv e ao cinema) e por isso é de todos os géneros, o que mais directamente pode reflectir a vida das pessoas e fazê-las pensar em si próprias. No seu ridículo. Mas de uma forma que não magoa ninguém. Nem deprime. Faz rir. A rir, o mundo pula e avança.


Nestes dias que correm, os cómicos portugueses que vingam são os 4 ali de cima. 4 génios que ficam, pelo menos, para a história da televisão. Por enquanto, assistimos à idade de ouro dos gatos fedorentos. Isto pode continuar ou pode mudar. Mas o que interessa é que o país se ri, pula e avança. Agora, que é sempre a altura em que isso faz mais falta.




1 comentário:

Aurora disse...

belos 4 que eles são
cada vez melhores
cada vez mais lá