A etapa de hoje da Tour de France tinha a sua meta em Albi, onde existe uma imponente catedral em honra de Santa Cecília.
No seu interior encontra-se uma estátua policromática inspirada na de Maderno:
Como pode haver tanta emoção no primor rígido e intacto desta figura?
Como se os sentimentos dele só existissem na voz e no punho fechado?
E tudo o que daí sobra fizesse mover uma orquestra inteira?
Acho que ainda gosto mais desta do que da "Estrela da Tarde".
talvez a partir de agora as pessoas procurem fazer o que gostam, em vez do que o dinheiro que tinham lhes mandava fazer
uma pessoa percebe que o mundo tá mesmo misturado (e desde há muito tempo) quando pensa que no hemisfério sul há "latinos" e "índios"...
E eu, açorianinha emprestada,
dizia "em tipo de gozar"
que desde que aqui vivia
na limpidez/bruma (é à vez)
o continente me parecia todo bege.
Aqui o mar e céu azuis
a pedra preta
as plantas verdes.
azuuul
preeto
veeerde
e chegava lá,
era logo do avião que se via
que aquilo era tudo bege.
Até o alcatrão e o branco das casas amarelecia de pó.
Mas foi com a canção de há 2 posts atrás que se me fez luz.
Não é bege, é de ouro.
O pó não é poeira
é feldspato. É mica.
Pó de fada.
"Meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de ouro"
Aqui está tão bem expressa
aquela saudade que tenho sempre de uma terra que em pormenor é o Redondo, a média escala o Alentejo, e em maior, o continente. Até Espanha está incluída. Enfim, o que me falta é o sequeiro...
O sequêro....!
Amália a cantar José Régio:
Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro.
Vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.
Hoje vi aqui na Horta (no largo do Infante) o cartaz de um candidato da CDU, com a parte de baixo ao sol quase poente e a parte de cima à sombra de uma árvore, tal como são as sombras das árvores que deixam passar o sol entre as folhas. Essa imagem aqueceu-me o espírito. Mas ia de carro e logo pensei noutras coisas.
Novembro, 17 (1838)
A maneira de comer a bordo de um navio fruteiro de S. Miguel em dias de mau tempo, desconserta tristemente quem estiver habituado ao uso de talheres de prata.
A expressão habitual designativa do almoço, do jantar, do chá e e da ceia é "ir buscar a comida", perífrase que à maravilha define o cerimonial em uso.
O compartimento em que tal obrigação se desempenha é suficientemente amplo para quatro pessoas, e tem, à guisa de mesa, uma cómoda quadrada, provida de asas. Devido ao tempo borrascoso que tem feito, torna-se necessário, antes de pôr a mesa, pregar-lhe a "cataplasma" (como diz o capitão), isto é, torcer em longo rolo qualquer peça de vestuário desgarrada que por ali se encontre à mão, um casaco impermeável, ou capote de lã, p. exemplo; depois, dispô-lo em ziguezague sobre a mesa, cobrindo o rolo com um pedaço de vela, a modo de toalha, e formando a sotavento uma grande protuberância para proteger a loiça no caso de balanço forte. Finalmente, a fim de manter a "cataplasma" no devido lugar, é esta fixa por um pedaço de fio de corda enlaçado por sobre a mesa, e atado aos puxadores das gavetas.
O despenseiro, designação pomposa dada a um rapaz sebento, enfarruscado e jovial, prepara o almoço, apertando entre as anfractuosidades da "cataplasma" as chávenas, os pires e as tijelas, para evitar que caiam e se depedacem; enche de biscoito o cabaz do pão e coloca-o firme no meio da mesa, escorando-o com um bule e com pão duro; em seguida, entala nos sítios convenientes o manteigueiro de manteiga de Cork, um bocado de carne salgada, um açucareiro de açúcar mascavado, enfeitado com torrões da mesma substância branca; arremessa para a mesa um molho de colheres de estanho e outro de garfos e facas novos e embotados e depois retira-se para preparar o chá.
Suponhamos que o chá está pronto e que o bule ficou estivado com o bico para barlavento; tanto que o encarvoado moço de novo aparece com uma caçarola de ovos, enorme vaga invade o navio; este entra em balanço forte para sotavento e com o balanço tentamos segurar as xícaras aos pires, segundo-se porém indescritível caos entre todos os utensílios indispensáveis ao almoço: o bule extravasa o chá por sobre o manteigueiro; entorna-se o leite; o pão fica ensopado; e porque deixaram a escotilha aberta, desabam sobre as nossas cabeças vários baldes de água dos grossos mares entrados a bordo. O capitão pragueja, o criado põe de lado os ovos, em busca do balde e da rodilha; os passageiros levantam os pés para se livrarem da água salgada que já encharcou os mochos, as botas e as extremidades dos capotes e continua a enlamear e a gorgolhar no sobrado do camarote; o homem do leme resmunga, rabujento, - "Sim, senhor" - à ordem ainda mais azeda do capitão - "Aguenta-o firme".
Ao jantar os preparativos são mais ou menos os mesmos do almoço.
O capitão não era nenhum gastrónomo.
A carne salgada é trazida numa celha de madeira até à porta da sala de jantar, onde a cortam em duas partes iguais.
Metade volta para cima pela escotilha na mesma celha para consumo da tripulação; a outra metade punha-se em fundo tacho para a mesa da câmara. Vinha então o infalível prato de bordo, de couves com gordura, cenouras esbranquiçadas e batatas com casca. Postas todas as iguarias na mesa, seguia-se a tarefa de averiguar o paradeiro do capitão. Chegado este, quando a comida começava já a arrefecer, verificava-se que não estavam na mesa nem os garfos, nem as facas e que também faltava a mostarda. E porque o saca-rolhas ficara esquecido na gaveta, tornava-se necessário desmanchar a "cataplasma", levantar a mesa e voltar a pô-la.
Arrancada a rolha, tiravam-se os copos do armário, ainda com os restos do vinho da véspera, a secar. "Cozinheiro, cozinheiro!" e os copos eram entregues pela escotilha com a recomendação: "não se lavam agora com água doce", aviso este que o forte gosto a água salgada na borda do vidro logo indicava haver sido fielmente cumprido. A ceia era como o almoço repetido à luz das velas.
Ainda existe este sentimento, entre nós. Resquícios do anti-semitismo?
"A suspeita de cristã-novice recaía, com frequência, sobre quantos alcançavam sucesso nos seus empreendimentos, privilegiando-se, socialmente, aqueles que mantinham estilos de vida ociosos e perdulários contrários à mentalidade capitalista emergente."
in "Indiferentes à Diferença - Os Judeus nos Açores nos sécs. XIX e XX" de Fátima Sequeira Dias
Adeus Rua Sá Carneiro
Adeus Rua de Mourão
Adeus Largo adeus Igreja
Do Sagrado Coração
I
Adeus Rua do Rossio
Adeus Sociedade
Adeus Museu de Antiguidades
Tudo feito com muito brio
Adeus Fonte do Rossio
Adeus Travessa do Carneiro
Ainda digo adeus primeiro
Ao antigo lavadouro
Despeço-me com muito amor
Adeus Rua Sá Carneiro
II
Digo adeus à taberna
Do Francisco Carrilho
Seguindo o mesmo trilho
Adeus Café Lanterna
Falando de coisas modernas
Tal como elas são
Tenho a preocupação
Não me esqueça alguma coisa
Adeus café da Lousa
Adeus Rua de Mourão
III
Adeus padaria
Adeus Rua da Calçadinha
Esta ideia é minha
Adeus lojas e mercearias
Quando chegar esse dia
Que por certo ninguém deseja
Aqui estar para que se veja
Eu lanço este retrato
Adeus café Regato
Adeus Largo adeus Igreja
IV
Adeus Rua das Palhotas
A da Estrela fica defronte
Adeus Rua da Fonte
Ao largo tem uma horta
Para nós pouco importa
Nesta mesma ocasião
Aceitamos esta lição
Tal como se diz
Adeus Igreja Matriz
E a do Sagrado Coração
V
O que aqui não foi citado
Por certo não está esquecido
Tenho tudo bem gravado
Dentro do meu sentido
João Chilrito Farias (poeta popular), Luz, 1997
em "Breviário Alentejano" de Francisco Martins Ramos
Editora Caleidoscópio
o sorriso, o riso
são muito mal empregados quando são de desdém
ou de crítica.
o sorriso devia ser sempre usado e interpretado como uma alegria a partilhar.

come menos
descansa mais
passeia
usa coisas velhas
não laves tudo
escuta
brinca
toma atenção
fica calado
procura amar
amar é entender
cozinha tu
come coisas cruas
bebe água fria
apanha frio no inverno
e calor no verão
não fujas da natureza
ela é a mãe
a vida tem um v porque é, em grande parte, nevoeiro
Piping down the valleys wild,
Piping songs of pleasant glee,
On a cloud I saw a child,
And he laughing said to me:
"Pipe a song about a Lamb!"
So I piped with merry cheer.
"Piper, pipe that song again;"
So I piped: he wept to hear.
"Drop thy pipe, thy happy pipe;
Sing thy songs of happy cheer!"
So I sung the same again,
While he wept with joy to hear.
"Piper, sit thee down and write
In a book, that all may read."
So he vanished from my sight,
And I plucked a hollow reed,
And I made a rural pen,
And I stained the water clear,
And I wrote my happy songs
Every child may joy to hear.
(introduction to Songs of Innocence)
William Blake
"Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
cause none of them can stop the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look? ooh!
Some say its just a part of it:
We've got to fulfil de book."
Bob Marley
![]()
desde que pude e consegui
ficar acordada até tarde
e sozinha
isso foi um prazer para mim.
agradeço a luz eléctrica
na noite sentimos o nosso eu
mais presente.
percebemo-nos melhor
e damo-nos uma grande importância
a cada coisa que fazemos.
não temos horário para nada e sabemos
que vamos acabar em prazer: no sono
mas não há horas de refeições
nem de visitas
nenhum sítio onde estar
não há telefonemas
nem muitos barulhos
à noite há mais tempo para as invenções humanas
a minha preferida é a escrita
ou a criação de qualquer coisa
a net tb é fixe
a noite é o mais próximo que encontro
da intemporalidade
e o tempo em que mais me aproximo de mim.
mas só o faço às vezes.
e é tão bom
Este foi o primeiro beijo da história do cinema.
Apareceu nos kinetoscópios e passou despercebido. Mas quando foi projectado em grande ecran, 3x maior que o tamanho real e 3x repetido, todos ficaram muito chocados e horrorizados.
Critic Herbert Stone complained, " . . . neither participant is physically attractive and the spectacle of their prolonged pasturing on each other's lips was hard to beat when only life size. Magnified to gargantuan proportions and repeated three times over is absolutely disgusting!"


A primeira boneca Barbie foi lançada oficialmente na Feira Anual de Brinquedos de Nova York, a 9 de Março de 1959.
No dia seguinte, o Tibete inicia uma fracassada revolta contra os dez anos de ocupação chinesa em Lhasa. Milhares são massacrados pelo exército de ocupação chinês.
imagem1.Empress of the Golden Blossom™ Barbie® Doll - Price: $150.00
imagem2.Montanhas Tibetanas - ..............
.dizer "olá"
.dizer "luz" e apontar para a luz
.apagar a luz e acender
.fazer adeus
.apontar para o que quer
.mudar canais de tv
.fazer de índio com a mão na boca
.fazer trrrim no nariz das pessoas
.dizer onde está o seu dentinho

a terra não é como as pessoas.
não dá para telefonar para ela
e matar saudades brandamente
só se comunica com uma paisagem
estando nela.
sentindo-a com tudo o que
temos de sensível.
amar uma terra é coisa dura
amar uma nova terra é sempre aumentativo
mas dividir o nosso amor por várias terras
é ingrato.
ainda não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo
e aí net não serve para nada.