aurora e família do south park










http://www.sp-studio.de/ --> aqui fazem um para vocês!

só de passagem

para agradecer a quem veio aqui ao meu blog.
e para dar um pequeno conselho que logo a seguir vou cumprir:
larguem esse computador, endireitem as costas, levantem-se da cadeira
e vão fazer uma cena qualquer ou não vão fazer nada.

sabem porquê?
porque é fixe!!

Tradição? Folclore!





Fui ver ao cinema um filme que se chama "O primeiro choro". Uma viagem à volta do mundo num dia de eclipse, a ver como as mulheres dão à luz. Apesar de algum gosto duvidoso presente no filme, até era um filme interessante. Mais pelo que dava a conhecer do que pela forma como estava feito.

Uma das conversas recorrentes entre as mães civilizadas do filme era que era necessário parir de forma tradicional. Que desde sempre as mulheres tiveram filhos, que elas foram feitas para isso, que os hospitais são sítios horríveis e frios para se vir ao mundo neles et tout ça.

hmm mmm... ok. Quando as mulheres tinham os filhos da forma "tradicional" e morriam às dezenas e perdiam filhos e etc, descobriram uma forma de fazer nascer pessoas em que se diminuia imenso o risco de alguém morrer e andaram a fazer campanha a todas as mulheres para irem ter os filhos ao hospital.

É a história da esterilização. Quando a humanidade era muito porquinha e morriam milhares de pessoas devido à falta de higiene, inventou-se a estirilização. E hoje em dia advertem-se as pessoas que demasiada estirilização pode dar origem a alergias, entre outros males lixados.

Pffu... a humanidade porta-se sempre mal, é o que é. Ora não se lava ora desperdiça água...

E pronto, grávidas, vamos lá voltar à tradição tradicional ancestral das nossas antepassadas mulheres parideiras! Mas a qual tradição, pergunto eu!!?? À da minha avó? À da minha bisavó? À da minha minha tetravó? À da minha tataritotelavó? À da macaca primordial? À da Eva?? Se julgam que a tradição é uma coisa estanque e acabada que resolve tudo em si, não julguem. Tudo se altera, tudo se alterou ao longos dos tempos e dos lugares.

Entre nós, a tradição resultou nas maternidades (o tempo de hoje é sempre resultado do tempo de ontem), e pelos vistos agora está a mudar para uma coisa mais caseira e íntima, menos rígida e mais ao gosto da mulher actual. É UMA COISA ACTUAL e não tradicional. Até porque tradicional não quer dizer nada... é como as danças dos ranchos folclóricos. São tradicionais? Não. São inspiradas numas coisas que houve durante uns tempos lá nuns sítios. Com umas roupas lavadinhas e engomadinhas e de lindas cores artificiais que nunca houve umas assim antes de hoje! No fundo são coisas de agora e pronto.

boom & reds

são os desenhos animados preferidos
do Julião e dos seus amados pais

um episódio são 1000
porque só muda o desenho
mas mesmo repetidos
ou talvez mesmo por isso
adoramos sempre ver
bum, bum, bum à reds

se não é, parece.


bolorzinho...


a vida é o bolor da Terra

tudo se transforma

transfomer
somos ocidentais
e herdámos, por um lado
a ideia de que o essencial não tem imagem
-não há imagem para Deus, apenas símbolos-
por outro lado, da cultura greco-latina
a paixão muito erótica pela representação.

ícones, estátuas, gravuras, pinturas, desenhos
esquemas
logo desde crianças aprendemos o que é a neve
o que é o elefante
e o leão
em lindos desenhos estampados nos livros.

assentamos a educação e o conhecimento
em bases estabelecidas
e de princípios imutáveis.

partimos de princípios
com a ideia de que haverá fins.

manejamos a realidade com referências fixas
e até à criatividade é deixado apenas o espaço que esta palavra lhe dá

porque mesmo as palavras são feitas de pregos de letras
onde se martelaram sentidos e significados.

mas os nossos esquemas nunca abrangerão tudo
nada assenta em coisa nenhuma
e um limite é coisa que nunca existiu
tudo é posto em causa constantemente.
este é um mundo de mutações
a todos os níveis e em todas as escalas
e abençoados nós que somos embalados neste doce transformar

da existência - a minha

sei que pareço muito inteligente e perspicaz com respostas ou afirmações que faço
sei que pareço burra e lenta com dúvidas e interrogações que coloco
sei que pareço atinadinha com a minha vidinha pouco wild side
sei que pareço desgovernada por não levar uma vida burguesa
sei que pareço empreendedora por ter projectos e por escrever e por ter ideias
sei que pareço preguiçosa por não ter um emprego
sei que pareço limpinha por não ficar uma semana sem tomar banho
sei que pareço javardolas por não tomar banho todos os dias
sei que pareço culta por ler livros
sei que pareço inculta por não passar a vida a ler
sei que pareço levar uma boa vida por viver aqui onde vivo
sei que pareço ter uma vida enfadonha por tomar conta da casa e de um filho
sei que pareço mãe galinha por dar de mamar e estar sempre perto dele
sei que pareço negligente por ele às vezes ter camisola suja ou andar descalço
sei que pareço fútil por gostar de historietas de cordel e por gostar de moda
sei que pareço desmazelada e arrapazada por me vestir mal e não me importar com isso
sei que pareço bonita por ter cabelos aos caracóis e um corpo saudável
sei que pareço feia por usar óculos e não ter os dentes direitos
sei que pareço rude por ser tímida
sei que pareço simpática por sorrir muito às pessoas
sei que pareço indiferente por manter o lábio superior rígido
sei que pareço muito interessada em coisas banais
sei que pareço mal agradecida por não encontrar forma de agradecer o que aprecio
sei que pareço dar muito valor a gestos que não foram com essa intenção

eu sei isso
e gostava que vocês também soubessem.



p.s
sei que pareço egocêntrica e é verdade
mas também já percebi que ter um filho é toda uma jornada para deixar de o ser
e como isso é belo!

adaptações


Ontem, estava a pensar enquanto lavava a loiça.
(Sabem quais são as mulheres que pensam mais? - Pois é, embora não pareça)
E enquanto pensava percebi que há uma coisa que não gosto nada e acho mesmo que é um desperdício de energia. Essa coisa são as

ADAPTAÇÕES

prefiro bem mais as

INVENÇÕES.

Ainda ponderei sobre as adaptações às circunstâncias, mas é evidente que também prefiro as invenções às circunstâncias.

Mas as adaptações que odeio mesmo mais são as adaptações literárias e as adaptações cinematográficas. Blergh...

às vezes

o estado enervado de uma pessoa aumenta a um ponto que quase parece sem retorno
outras vezes a preguiça deixa cada músculo do corpo e da mente num estado que parece eternamente vegetativo

mas na maior parte do tempo estamos semi-rígidos, semi-activos, parcialmente atentos, moderadamente confusos, um pouco cansados mas com forças para continuar; capazes de sorrir e de censurar, de esquecer e de lembrar, sem ressentimentos à flor da pele e sem gratidões especialmente sentidas.

essa maior parte do tempo esvai-se sem que nos recorra em lembranças mais tarde.
essa maior parte do tempo é a vida.

e ela é a resposta para estas perguntas da Björk:

"His embrace, a fortress
It fuels me
And places
A skeleton of trust
Right beneath us
Bone by bone
Stone by stone
If you ask yourself patiently and carefully:
Who is it ?
Who is it that never lets you down ?
Who is it that gave you back your crown ?
And the ornaments are going around
Now they're handing it over
Handing it over
He demands a closeness
We all have earned a lightness
Carry my joy on the left
Carry my pain on the right
If you ask yourself patiently and carefully:
Who is it ?
Who is it that never lets you down ?
Who is it that gave you back your crown ?
And the ornaments are going around
Now they're handing it over
Handing it over"

seja onde for


1º não há descanso
depois só há descanso

edição de natal

http://fazendofazendo.blogspot.com

colaboramos com eles. clicar p/ ler

http://fazendofazendo.blogspot.com/


da existência


não é o que fazemos que faz de nós o que somos
não é o que parecemos que faz de nós o que somos
nem mesmo aquilo que achamos ser

aquilo que somos é sempre volátil, variável, insondável e eternamente questionável

o que vale a pena
é ser
e não compreender


o caminho
é um espaço
que nos leva a outros lados

ele promete e potencia

eu não quero ficar em lado nenhum, caminho
o que eu quero é andar em ti

ir ao mar em dezembro


friorenta eu sou até em agosto
e tal como no verão
´
custou um bocadinho a entrar
mas lá dentro estava-se bem bem
´
nunca tinha tomado um banho tão perto do meu aniversário
´
e o melhor foi que quando saímos de casa
levei uma camisola porque estava fresquinho
nunca imaginando o que o dia ainda tinha para dar

responsabilidade


o cinema ensinou muita coisa boa
a beijar, por exemplo.
mas também ensinou muita coisa má
a fumar por exemplo.


vantagens que o cinema trouxe até nós
conhecemos muitas

eis algumas coisas para as quais o cinema contribuiu e que seria bom que o cinema moderno tentasse inverter:

  • o apreço pela espuma, coisa que nada lava e tudo polui
  • o apreço pela decoração, que é uma coisa que fica bem nos filmes mas mal na casa das pessoas. uma casa decorada significa pouca vivência dela e muito dinheiro e tempo gasto apenas em aparências. e já se sabe que aparências não garantem felicidade. alguém tem que mostrar isto às pessoas. as novelas fazem-no pela negativa, o cinema devia fazer pela positiva.
  • o apreço pelas pessoas bonitas. quem já decidiu passar o resto dos dias ao lado de uma pessoa bonita sabe do que estou a falar. e os outros também sabem do que estou a falar. por isso se todos sabemos do que estamos a falar......

no fundo só se trata do cinema mudar a sua atitude no que respeita às aparências, já que o cinema é ele próprio uma aparência em si mesmo. fiquemo-nos por essa, e usemo-la, porque nós sabemos que as aparências impressionam. Oh se...

eU



sermos nós próprios nem sempre é fácil
mas parecermos nós próprios por vezes é ainda mais difícil
e contudo
para isso
basta existir.

então porque é que...?
nada, deixa.

histórias da minha vida (1)


















Verifico com gáudio que, aos 23 anos, já reúno no meu acervo um considerável número de histórias que dão que pensar. Que a mim me dão que pensar. Quero contá-las.

Esta passou-se em Bordéus (algumas das minhas histórias são passadas em lugares longínquos).

Eu e uma amiga minha dinamarquesa (mais internacionalizações...) passámos uma semana de férias entre duas semanas de trabalho árduo nas vindimas. Foi uma semana agradável em que não tivémos que nos esforçar, tinhamos um apartamento à nossa disposição - emprestado - e dinheiro na carteira ganho da forma mais saborosa - trabalhando com suor.

Tentámos visitar museus mas encontrámos uma loja em liquidação completamente total - nem eu nem ela gostamos de gastar muito dinheiro em roupa, mas como qualquer outra rapariga até gostamos de ir às compras. Entrámos e andámos por lá a ver coisas, cada uma para seu lado e logo a seguir encaminhámo-nos uma para a outra a rir:
- Olha estes calções custam... 30cts!
- E esta camisola custa 70cts!!
Uma loucura. Havia montões de roupas e montões de mulheres.

Comprámos várias coisas mas isso não interessa para nada. Nada do que eu contei até agora interessa para alguma coisa. O que conta para alguma coisa é o que eu vou contar agora:

De entre as mulheres que compravam havia várias indianas. De entre as roupas à venda havia uma secção de vestidos de noiva. Vimos mulheres indianas a experimentar vestidos de noiva em liquidação total e a comprá-los por 20euros. ISSO A NÓS FEZ-NOS MUITA CONFUSÃO.

Como é que a duas raparigas que não ligam assim muito a roupas nem, penso eu, a casamento de sonho com vestido feito à medida e que custam várias centenas de euros, nos faz impressão uma cena daquelas? Na altura perguntei-me. Agora respondo-me.

O que faz confusão é a misturada. Indianas a vestir vestidos de casamento de estilo ocidental mas comprados em saldo com o tamanho disponível, só porque são do estilo que elas sonhavam ter e que para nós ocidentais verdadeiras não só são feios como o facto de serem adquiridos assim ainda lhes retira o último resquício de encanto. Para nós está tudo trocado. Para elas é um sonho ao alcance das suas carteiras. Quando nós sabemos que na Índia há casamentos verdadeiramente de sonho.

É que isto da trocas interculturais é mesmo lindo. Andamos mas é todos apaixonados uns pelos outros, ocidente pelo oriente e o oriente pelo ocidente. Mas tal como todos os apaixonados somos muito toscos e muito trapalhões nesta nossa aproximação. O fascínio é grande.

(.S')

















sabiam que para ir para a esquerda, às vezes é preciso ir muito para a direita primeiro?
sabiam que a melhor maneira de parar alguma coisa é abusar dela primeiro?
esta e outras coisas são sabidas por algumas sabedorias, nomeadamente chinesas.
elas é que nos ensinaram que se aproveita a energia do golpe do adversário para nos defendermos dele.

podemos usar isto em tudo da nossa vida, desde as relações humanas, à gestão da nossa saúde, vícios, manias, intenções etc.

tenho 3 histórias contadas por uma grande amiga minha de infância que na minha memória, com o passar dos tempos, se transformaram em clássicos. acho que ela não lê o meu blog mas se ler, saberá a quem me refiro. estas 3 histórias ficaram-me de entre as 1OOO000oooººº... histórias que se ouvem na infância. na verdade são muito simples e à primeira vista não possuem nada de especial. mas o que é certo é que recorrentemente me lembro delas e a propósito das mais variadas coisas. pode ser que ainda conte aqui as outras 2. mas agora fico-me por esta.

Ela adorava tremoços. Era doida por eles. A mãe dizia-lhe que ela não devia comer tantos. Mas ela continuava sempre a querer comer muitos tremoços. Um dia conseguiu convencer a mãe a comprar uma saquilada deles. Comeu comeu comeu até não poder mais. Enjoou e desde aí nunca mais comeu nem um
tremoço.

Match me if you can














1.How much can you know about yourself if you've never been in a fight?
2.There are no little secrets.
3.Everyone wants to be found.
4.71% of the Earth's surface is covered by water. That's a lot of space to find one fish.
5.Part of every woman is a mother/actress/saint/sinner. And part of every man is a woman.
6.Here comes the bride.
7.A woman's heart is a deep ocean of secrets.
8.One person can change your life forever.
9.Whoever saves one life, saves the world entire.
10.The tunnel led Chihiro to a mysterious town
----------------------------------------------------
a.Schindler's list
b.Lost in translation
c.Fight Club
d.A viagem de Chihiro
e.O fabuloso destino de Amélie Poulin
d.Kill Bill
e.Match Point
f.Titanic
g.Todo sobre mi madre
h.Finding nemo

Heaven is What























Heaven is what I cannot reach!
The apple on the tree,
Provided it do hopeless hang,
That "heaven" is, to me.

The color on the cruising cloud,
The interdicted ground
Behind the hill, the house behind, --
There Paradise is found!
emily dickinson
desenho de jorge queiroz

desejo

olá

eu tenho a resposta para uma pergunta que muita gente se faz ao longo da vida.
queria partilhá-la com todos.
há quem se pergunte por que razão o ser humano passa a vida a desejar aquilo que não tem
e apesar de ir obtendo aquilo que desejava, ele continua a desejar mais.

bom, a razão é simples:
desejar é um verbo que se aplica apenas àquilo que não se tem.
desejar algo que se tem não é desejar, é gostar ou amar.
ora portanto, a desejar alguma coisa, só pode ser o que não se tem.

uma pessoa podia deixar de desejar
mas isso seria uma das duas:
atingir o tao
ou atingir a apatia

a primeira é desejável mas difícil
a segunda também é difícil mas de todo indesejável.

por isso... é na boa isso do desejar sempre o que não se tem... desde que seja com um sorriso nos lábios e outro no peito

china

que dizer sobre a CHINA?

o melhor é não dizer nada.
ainda está aqui dentro
quando ela sair daqui logo digo. tá?

sombra eléctrica




dian - ying
eléctrico - sombra

é como se diz filme em chinês

amarelinhos


amanhã saímos de casa
em direcção ao oriente
porque queremos chegar à China na segunda-feira.
ainda não acreditamos muito,
é como dizer -vou à lua.
é mais ou menos isso.

dzzzzzzzzzzzzah!



fímbria deslizante para o infinito
em reflexos metálicos e húmidos
a calmaria sustém-nos
bem como a tormenta

não há como a água para lavar
e lavar é espalhar a alma por gotas e poeiras





} fímbria é muito poético não é? mas febra não.

to Mr. President Barack Obama



Governing a large country is like frying small fish.
Too much poking spoils the meat.

When the * is used to govern the world
then evil will lose its power to harm the people.
Not that evil will no longer exist,
but only because it has lost its power.
Just as evil can lose its ability to harm,
the Master shuns the use of violence.
If you give evil nothing to oppose,
then virtue will return by itself.

*tao

translation of the Tao Te Ching of Lao Tzu by j.h.mcdonald, 1996

pequenas conversas II


-man man man man man
-mamã?
-...
-mamã! diz outra vez: mamã!
-...
-mamã!
-hmmmmmm a
- (sorriso)... mamã!
-....

(...)

-man man man man man man

amigos e cagarros


eu gostava que todos os meus amigos viessem ler com regularidade o meu blog
também gostava que o comentassem muito
faço-o com esse ideal

mas o que eu gostava mesmo era que todos os meus amigos tivessem um blog
que eu pudesse ver e ler
e assim senti-los melhor e aqui mais perto.

é que... as fotos do hi5 e do facebook e tal são só fotos - expressões faciais e/ou corporais
e nos blogs eu poderia ter contacto com expressões espirituais, sentimentais, intimistas, críticas, etc

gosto muito dos meus amigos e estou aqui no meio do atlântico
onde eles não me vêm bater à porta da cozinha
como fazem os cagarros.

procurem nas vossas costas


garrafinha garrafinha
na crista da espuma
salta pocinha
por enquanto és só uma
.
outras seguirão
por esse mar afora
do tomás, do julião
e também da aurora

Estar Atento

Andar com a cabeça levantada.
Há notícias no vento e na luz
Informações nas esquinas
Ideias se revelam nos voos das aves

Dois sorrisos de velhotas
Um reflexo na água onde mergulha o caranguejo
O motor de um avião ao longe
Uma bicada de ave perdida na porta da cozinha

Pedras que absorvem água
Pedras que boiam
Vulcões adormecidos
Barcos com gambiarras festivas no escuro

Riscos de chuva à frente da árvore
Lagartixas de rabo cortado que são mais ariscas
Cães que uivam às ambulâncias
Malucos que riem nos caixotes do lixo

é maravilhoso
estar atento.

começou o inverno ontem em todo o hemisfério norte


as estações não começam nas datas dos solstícios nem dos equinócios
nem sequer há 4 estações como consta nos manuais humanos
o tempo meteorológico vagueia e transforma-se a seu bel-prazer
um pouco mais quente e calmo numas alturas
mais tormentoso e frio noutras


a única divisão eficaz entre o verão e o inverno é a mudança da HORA. e ontem foi o primeiro dia de inverno porque foi o 1º dia em que as pessoas saíram dos seus trabalhos de noite.
foi o 1º dia em que era de noite e ainda havia lojas abertas.


é agora que se começa a farejar o........................................ natal

pequenas conversas I


- bá, diz bá
- prrr
-bá, diz bá. bá!
- ah
- (sorriso) bá, diz bá. bá... bá...
-........ âoh .

poesia


a poesia não é uma arte.
a literatura é uma arte.
a poesia e a arte são uma e a mesma coisa.

adulto só fala merda



gosto desta expressão brasileira. "x só fala merda"
dá-me vontade de rir
expressões é, aliás, com os brasileiros.
talvez o brasileiro adulto não fale só merda.
mas os adultos falam de
o que fizeram
como fizeram
o que disseram quando fizeram
o que os outros responderam
o que compraram
o que querem comprar
o que os outros compraram
futebol
política
economia
doenças
moda
saldos
promoções
enfim: só merda.
as crianças falam do que calha. pode ser de coisas
descobertas
inventadas
esquisitas
confusas
divertidas
de meter medo
ou até de merda.
agora merda é que não, aliás, nunca falam de nada.
eu já falo de muita merda. já tenho 23 anos. mas ainda falo de outras coisas. e tu?
a arte não é merda. mas os financiamentos são. tudo o que meta gente de gravata é merda.

bem aventurados



Ninguém quer ficar maluco.
Mas eles são as pessoas que mais se riem sozinhas.
E rir sozinho é bom.

ensinamento animal


não te coles a nenhuma aparência
mas sê sensível ao que te rodeia.
Chamaeleo Calyptratus

li este ensinamento nos olhos deste animal mas gostava ainda de acrescentar algumas palavras minhas: a paisagem é tudo. A paisagem nunca é o resto. E então quando dizem "e o resto é paisagem" é que não faz mesmo sentido nenhum.

boa energia



uma é explosiva barulhenta perigosa
a outra é quase silenciosa quieta e inócua

porque é que ainda há tantas nuclearices?
as renováveis são "para mariquinhas"?

poema das moscas


enquanto a mosca zumbe
a tensão da minha sensatez
é mafiosamente dedilhada

Título do Post: A VIDA

Descobri que ninguém é melhor do que ninguém por aquilo que consegue fazer. Para muitos isto não é novidade, mas para mim, embora já tivesse formulado este pensamento, só há alguns meses é que eu senti que isso é mesmo verdade. Nem o Mozart é melhor do que o Toy.

Sentença esquisita, esta última. Obrigo-me a explicá-la:

Não há tempo para tudo. Não há tempo para sermos pais e trabalhadores e donos de casa e estudar e ainda por cima fazer isso tudo bem feito. E se por acaso houver tempo para isso não haverá tempo para mais nada. E ser melhor não é deixar de relaxar, de descansar, de ter momentos de lazer.

Na vida de adultos o que faz de nós o que somos é aquilo em que gastamos o nosso tempo. Já que em crianças gastávamos o tempo todo a viver (fazer coisas sem nome, acções sem verbo: era tudo brincar e brincar é viver). Em adultos, tudo o que fazemos tem nome: trabalhamos, estudamos, passeamos, limpamos, descansamos, divertimo-nos, lemos... etc). O que faz de nós o que somos são estes verbozinhos. Se não fazemos muitos verbozinhos somos preguiçosos, se fizermos muitos, somos activos, se só trabalharmos e lermos jornais, somos sérios, se só nos divertimos e passeamos somos vadios, etc.

Há duas coisas que nos impelem para estes verbozinhos: o gosto e a obrigação. O gosto não preciso de explicá-lo e a obrigação pode ter várias origens, mas normalmente são de sobrevivência: pão, saúde/higiene e aceitação social. Julgo que os que podem gastar mais tempo naquilo que gostam são mais talentosos nisso do que os outros. E á tão válido ser talentoso na música como noutra coisa qualquer*. Mas como é que se pode achar que alguém é mais talentoso do que outro alguém se por acaso este segundo não tem hipóteses de ter tempo para aquilo de que gosta e o primeiro tem dinheiro para pagar a alguém que faça por si aquilo que ele não gosta, e assim ter tempo para fazer o que gosta? Não é o tempo que é dinheiro, é o dinheiro que é tempo.

* Vamos agora ao asterisco, porque eu ostensivamente ignorei aqui todas as pessoas que gostam de gastar o tempo em prejudicar outras pessoas. Também ignorei que há pessoas que fazem coisas para os outros, e por isso são mais amadas, claro. Só que serem mais amadas não quer dizer que tenham mais valor.

O Mozart gostava de música. Ele brincava na música, a música era tudo para ele - vivia e sobrevivia dela. O Toy também gosta de música, não duvido, mas gosta mais de outras coisas, e isso vê-se logo. É claro que eu prefiro a música do Mozart, que é uma música que foi feita com toda a alma. O talento é a entrega e cada ser humano se entrega àquilo que escolhe.

Para fazer bem as suas escolhas é preciso, acima de tudo, estar atento a si próprio. E ao lugar que os outros têm dentro de si próprio.

sobre fazer cinema


Não quero para aqui dar lições sobre fazer cinema, porque em primeiro lugar não o sei e em segundo lugar se o soubesse não sabia como o ensinar e em terceiro lugar mesmo que até isso conseguisse o mais provável é que ninguém aprendesse. Não por algum de nós ser burro, mas porque as coisas boas raramente são passíveis de ser ensinadas. Por isso queria só lembrar uma coisa, pois estou certa quem quem se lembrar sempre daquilo que eu vou aqui dizer já se sentirá mais amparado nas suas escolhas...

O cinema é ter numa sala um grupo de pessoas - e ainda que seja só uma - sentadas em cadeiras, na escuridão, com todos os seus sentidos postos no filme. Não, o cinema não é design, que encaminha as atenções das pessoas para coisas mais ou menos úteis, nem fotografia impressa numa revista, nem quadro que se veja em pé numa exposição mal iluminada, nem livro que se leia na diagonal, ou desfolhando rapidamente as páginas entre os dedos. O cinema também não é filme que se veja na televisão, entre uma lata de coca-cola, um xixi e um telefonema. O cinema também não é um DVD que se compre ou se alugue e se tenha problemas com o menu, ou com as colunas, ou com a TV ou com o formato...

O cinema é ter a gente por algum tempo, totalmente entregue ao teu filme.

little life in colors


são girinhas não são? e podem ver todas em grande aqui neste álbum do flickr.

o Caos e o Cosmos

ontem, durante a minha hora de televisão semanal
tive uma experiência que se inseria perfeitamente no blog - duplas
mas como a quero explicar um bocadinho melhor... cá vai


eram 22h, na rtp.n e na sic.n estavam a "dar-lhe" na enorme crise que acertou mesmo em cheio no nosso "pequeno" planeta
a crise económica, com as bolsas a cairem pelo mundo inteiro (felizmente ainda não houve feridos)

depoimentos de pessoas muito importantes
todos com cara de caso, incluindo os pivots
fartavam-se de mostrar gráficos e indices e percentagens
as imagens que iam entretendo o espectador
cofres de bancos americanos até escritórios de grandes edificios e indices e mais números

eu por ali fiquei
entre um canal e o outro
a entrar no mundo, a tentar perceber o porquê da crise
e quando já estava mesmo cheio de informação

mudei para o odisseia

um rapaz com ar de ser humano, mergulhava ao largo de uma ilha
nadava com as tartarugas, enormes
apanhou uma, trouxe-a para terra no seu barquinho
foi até ao interior da ilha onde a trocou por um porco












Ureparapara in the Banks Islands

fresquinhas do mercado!

duas senhoras encontraram-se há 15 minutos à minha frente no mercado da horta
tinham os seus setenta anos...

uma delas, cabelos brancos bem penteados e baton vermelho diz à outra, mal a vê (mais gordinha, de óculos e caracóis cinzentos):
-esta noite sonhei que estava mais umas do nosso tempo numa festa num género de teatro fayalense. e também estavas lá tu!
-ai sim? todas nos teatros?
-não, tu estavas muito zangada por causa de não sei quê...

não pude ouvir mais...

as velhinhas - vi mais para além destas, por isso sei do que estou a falar - nesta manhã cinzenta estavam todas muito bonitas. as roupas delas têm texturas e padrões que ficam lindamente com estes dias.

coisas que se dizem

cada povo tem as suas expressões, que são influenciadas pelo modo de vida desse povo e que por meu lado também acredito que influenciem o modo de vida das pessoas

aqui na ilha do faial
as pessoas tratam-te por tu
naturalmente sem problemas
adoro isso
quem me dera fazê-lo sem um nozinho na garganta
hei-de conseguir

no continente diz-se "estou um bocadinho cansada"
aqui não
aqui diz-se "estou uma coisinha cansada"
"estou uma coisinha maldisposta", "esse tomate ainda está uma coisinha verde"
não é giro? gosto tanto...

"é forte maluco" - é muito maluco
"ela tem forte vontade" - ela tem muita vontade
"dei forte pancada com este braço" - dei uma grande pancada com este braço

e esta é muito engraçada: quando passeio com o Julião nas ruas da cidade e ele está a dormir algumas pessoas comentam: "tadinho, tá-se consolando!" :) acho que está é uma verdadeira expressão idiomática porque não há propriamente "tradução" é assim: está-se consolando. e está!


Globalização


Eles foram buscar areia a Marrocos
E na Madeira Eles construiram esta praia
.
.
Eles legalizaram todos
todos estes imigrantes grãos de areia
todos fora daqui! Vão pá vossa terra!
.
Os Cubos de betão podem ficar porque são muito lindos e direitinhos
.
_____________
Eles legalizam tudo
Eles legalizam tudo
Eles legalizam tudo
e não deixam nada
_____________
Eles proibem tudo
Eles proibem tudo
Eles proibem tudo
e não deixam nada
_________________
Eles obrigam-nos a tudo
Eles obrigam-nos a tudo
Eles obrigam-nos a tudo
e não deixam nada
.
...
.
Mais facil será satisfazerem-nos todos os Natais
Quando todos os lugares do mundo forem iguais
Poderemos ficar em casa, finalmente
a consumir descansadamente

Quando se anda sozinho na praia pensa-se

porque é que será que muitas vezes, quando estamos sozinhos, nos sentimos e nos comportamos como se estivéssemos a ser observados por um número considerável -mas apesar de tudo impossível de precisar- de olhos?

Quando se anda de bicicleta pensa-se

que muitos problemas políticos e não só
são consequência da ignorância, ou pelo menos da indiferença pelos seguintes factos

que as massas são o resultado da soma das individualidades
e que em toda a individualidade pesa a força das massas