reconheço logo existe














Sei quando as pessoas querem alguma coisa

É quando vejo na sua expressão aquilo que sinto quando quero alguma coisa
Sei quando os animais querem alguma coisa
É quando vejo nas suas expressões aquilo que vejo nas pessoas quando querem alguma coisa
Sei quando as plantas querem alguma coisa
É quando vejo nas suas expressões o mesmo vigor que vejo nos outros seres com vontade

Mas muitas vezes não consigo perceber a vontade dos minerais
ou o que sentem eles
Porque não reconheço neles aquilo que reconheço nos outros
Não há dúvida de que são diferentes
Ainda assim há aquelas vezes em que os percebo tão bem
que reconheço que eles sentem muito mais do que aquilo que eu posso perceber

Hei-de estar mais atenta
É que o que eu mais gosto mesmo neste mundo é de expressões.

Sobre os comunistas, revoluções e outras ilusões.

Se o povo não se revolta é porque não está revoltado.Se o povo não está revoltado é porque não está descontente.Não é bom sinal o povo não estar descontente?Para os comunistas não. Para os comunistas, um povo que não se revolta é um povo oprimido (na melhor das hipóteses), ou estúpido (e esta ainda não é a pior hipótese).Para os comunistas a revolução parece ser o fim em si mesmo. Nas suas cabeças pintam a tinta vermelha eternos cenários de gritaria e punhos estendidos, estandartes, canções, marchas e megafones. O pós-revolução será sempre, para um revolucionário, uma desilusão. Seja qual for o resultado que ela origine, será um resultado pós-coital de sabor amargo.

E o único refúgio é continuar a pensar naquela profetizada revolução, a única, a verdadeira, a libertadora. E até lá (até à morte) é ir dando o gosto ao dedo fazendo umas greves sindicais, cujos manifestantes foram levados de autocarro até Lisboa e que no mesmo dia voltam de autocarro para as suas casinhas. Porque ela foi profetizada, ela foi profetizada... a luta continua, o sonho continua...

Para os judeus sempre houve a profecia do Messias, o salvador. Quando Jesus apareceu, houve quem achasse que era ele e outros que preferiram continuar a sonhar. Os primeiros passaram a ser cristãos, os outros continuaram a ser judeus. A quantidade de sangue que jorrou dessa divergência deixa qualquer um sem palavras. Já viram a força que tem um sonho? E todas as cabeças têm os seus.

Pela sua potência, os sonhos deviam ser sonhados mas pouco alardeados. São preciosos, a vida vive deles... mas eles não são nem podem ser a vida.As alterações sociais (e quaisquer outras alterações) que se produzem ao ritmo e ao som do cantar dos pássaros são bem mais seguras e aconchegantes do que as que são feitas a som e ritmo de megafone. Mas este é o meu sonho e talvez eu devesse calá-lo.

A História é Controversa

e disso ninguém tem dúvidas

aliás, qualquer coisa com mais de um mês, por se começar a diluir na memória, torna-se rápidamente controverso e motivo de discórdias. e não estou a ter em conta os historiadores (escritores da história) terem já a memória toda baralhada pelos cabelos brancos - infelizmente a história não é escrita pelas crianças, nem pelos leões

porque é que todos recordamos os mesmos personagens do passado?
porque é que há apenas duas visões? os bons e os maus, os maus e os bons?

para mim a culpa é dos livros
porque o que é lido é tido como certo, e o que é decorado (como todos o fizémos por disciplina em história) é tido como sabido

Venho por este meio propor que a História seja escrita por imagens

filmadas ou desenhadas, fotografadas ou recortadas
havendo várias visões, haverá uma realidade!
talvez um pouco cubista...
e por isso a controversia pode finalmente aumentar e tornar-se interessante

estar atento



uma pessoa nunca se compreende totalmente a si própria
uma pessoa nunca compreende nada totalmente
por isso é confortante quando há coisas sobre nós que temos a certeza

eis as minhas:
-sono e período fazem de mim a pessoa mais miserável do mundo
-atinjo a plenitude e a alegria completa quando há calma e conforto
-se estou a ter uns pensamentos e no meu campo de visão aparece um pássaro a voar, sinto formigas, uma violenta emoção no estômago
pensava que tinha mais mas agora pensando bem não são coisas assim tão certas com tanta certeza.

Mas estas que aqui ficam são verdades, puras e cristalinas verdades.

olá pedro!

Olhem que sabe bem
e mais que bem
encontrar um blog de um amigo
e gostar-se tanto que se vem rever o nosso
para perceber o que é que estava mal
e com a inspiração recebida tentar melhorá-lo!

http://o-calor-e-humano.blogspot.com/

eu devia poder ler uma expressão assim
vinda de todas as pessoas que conheço!

A Galeria de Van Gogh


Há 6 ou 7 anos
no autocarro do Redondo para Évora, onde todos os dias de manhã tinha que viajar com a Rádio Renascença, ouvi, numa rubrica sobre páginas da internet, a sugestão do seguinte endereço:


talvez por ser do Van Gogh, talvez pela simplicidade do título da página, talvez por o ter ouvido e não lido, talvez por ter sido numa altura em que havia menos páginas...

não só me lembrei dele para o ir ver à net
como nunca mais o esqueci
é uma página infindável, boa para quem gosta de Van Gogh e de encontrar coisas "novas" dele.

lá há tudo


quem dera que houvesse uma assim do Fernando Pessoa...

o bom e o melhor



bom é fazer um jardim
melhor é passear nele

bom é ter uma biblioteca
melhor é ler livros

bom é ter uma boa casa
melhor é estar lá dentro

bom é lavar roupa
melhor é vesti-la

bom é ter um filho
melhor é brincar com ele

bom é apanhar figos
melhor é comê-los

bom é ter uma vida
mas melhor
melhor é vivê-la

VIVA - O - PICO

(este vem fresquinho, é de hoje)

e quando o espírito se nos ensombra
ou a raiva cresce sem razão
não há como erguer a vista
e o Pico nos acode em salvação

o lirismo copio-o dos livros
as palavras do viver
mas o que mais me impele nisto tudo
é toda esta beleza que me quer morder

"qualidade literária duvidosa mas com conteúdo sentimental aparentemente autêntico"

ter um filho










deixamos de ser adultos outra vez
embora em muita coisa o fiquemos mais

o cinema do cotovelo oeste


Da minha janela tenho vista para a rua toda, desde o cotovelo leste ao cotovelo oeste. A minha janela fica virada a sul, por isso o sol entra-me em casa durante todo o dia. Sinto-me feliz com isso. O homem europeu também andava sempre do lado do sol.
.
Passava para lá de manhãzinha e depois para cá à tardinha. Aos fins-de-semana passava muitas vezes. Parecia gastar os dois dias de descanso entre o cotovelo leste e o cotovelo oeste. Eu não me admirava com isso. No lado oeste da rua, depois do cotovelo, existe o CINEMA. O homem europeu gosta de cinema. Durante a semana trabalha e não pode ver as fitas, mas ao fim-de-semana vê-as todas. Durante o intervalo entre sessões vai sempre a casa, que fica no cotovelo leste. Por isso passa tantas vezes debaixo da minha janela, deixando no ar um fumo seco de cigarro espanhol.
.
É claro que já troquei com ele algumas palavras. Nem sempre é um tipo simpático, mas sempre atento e nunca arrogante. Já houve quem lhe chamasse ignóbil mas nunca o vi ultrapassar os limites da decência.
.
Costumava andar sozinho. Nos finais de tarde dos sábados fazia-se acompanhar no seu passeio por uma rapariga séria, morena e de grandes olhos tristes. Iam à sessão da noite. A rapariga levava o casaco de malha dobrado e pendurado no braço quando iam para o cinema e apenas pousado por cima dos ombros no regresso. Não raras vezes vinham a conversar. Ela não parecia mais animada do que antes, mas podia adivinhar-se que as conversas que mantinham eram sobre o filme.
.
Permaneço horas a fio à janela do meu quarto, porque sou muito preguiçoso e gosto de ver os meus semelhantes.
.
O homem indiano era assaz diferente. Passava sempre de manhã e sempre do lado da sombra. Era alto e magro e vestia uma túnica cor de açafrão que ondulava ao andar e deixava no ar uma mistura de incenso e cravinho. Só há filmes indianos de manhã, aos dias de semana. O homem indiano via-os todos, alguns repetidas vezes. Quando para lá ia acenava-me e perguntava-me sempre num português perfeito: "O senhor engenheiro passou bem?" E eu respondia sempre amavelmente. Muitas pessoas da rua o apelidavam de arruaceiro. Nunca o considerei tal. Tinha até gosto em ser seu vizinho.
.
A sua loja era no cotovelo leste, perfumada e colorida, onde atrás do balcão 1000 gavetas guardavam produtos culinários. Três lindas raparigas, suas filhas, sorriam e atendiam. Nunca lá comprei nada senão pimenta, único condimento ainda tolerado pelo meu delicado estômago, num pouco de queijo fresco de perfume branco.
.
O homem indiano ficava no cinema a manhã toda e voltava cantando as músicas do filme. Eu sorria para mim mesmo. E perguntava-lhe: "Acabou bem?" E ele geralmente acenava alegremente que sim, mas vezes havia em que dizia apenas "Ai que pena, senhor engenheiro... é a vida!"
.
Só que não era a vida, eram os filmes. Mas não fazia mal. A vida do homem europeu e do homem indiano eram os filmes. E a minha era o filme da minha rua.

Canção de como salvei a minha tia Sara de um resfriado nas extremidades

estava a papar
e uma mensagem
caiu do ar
dum personagem
do outro mundo
na minha sopa
caiu no fundo
sujando a roupa
da minha tia
a que por sorte
já nada via
e até à morte
ela nunca soube
que de ensopado
o seu lindo robe
ficou manchado
*
aquela carta
era para mim
dizia "Marta"
com letra assim
para o diferente
com inclinação
não frequente
lá dentro ainda
era mais fina
era tão linda
tão à menina
que eu gostei logo
li-a a correr
e era um jogo
a não perder
*
era um concurso
de outro planeta
tinha um percurso
e uma meta
a inscrição
vinha no fim
com um cupão
só para mim
fui preenchê-lo
para a cozinha
colei um selo
numa cartinha
e enviei
com os meus dados
depois esperei
os resultados
*
um mês depois
já estava farta
abri a carta
aos safanões
tinha vencido
todas as provas
e recebido
uma meias novas
quis ir contar
à minha tia
mas por azar
já não ouvia
apertei-lhe a mão
que estava gelada
mas no coração
não tinha nada
*
ainda vivia
em meu parecer
mas com a mão fria
por resolver
fui ver das meias
as do concurso
e enfiei-lhas
até ao pulso
*
na sua cara
cara de tia
de tia Sara
algo sorria.

Comunicado ao mundo


As pessoas de agora
que dizem que o antes é que era bom
não sabem concerteza que
aquilo que somos hoje
é resultado do que fomos ontem.

Publique-se.

Dúvida



Quando as pessoas dizem "as pessoas isto" ou "as pessoas aquilo", é de nós que estão a falar?

ser "verde"

agora querem alcatifar o mundo de verde?


os ecossistemas
estão em harmonia
porque se adaptam e readaptam
não são esquemas fixos
nem instaurados
*
a uma escala maior
no planeta terra
a harmonia também assenta na eterna mudança
*
os gelos gelam e degelam
mar e a terra avançam um para o outro
as ervas, as rocha, os animais
destróem-se, ajudam-se ou ignoram-se
*
entre eles estamos nós
com as nossas preocupações.
*
a moderna e politicamente correcta preocupação com o planeta
não é mais do que uma egoísta preocupação com a espécie
a espécie humana
*
tão egoísta quanta a necessidade de andar de carro
apesar de saber que polui
tão egoísta quanta a vontade de comer bacalhau
apesar de saber que são poucos
tão egoísta quanto todas as outras vontades
*
e
ao salvar tubarões
matamos salmões
ao salvar salmões
matamos camarões
*
uns valem mais porque são poucos?
outros valem menos porque são mais?
o que é ser ambientalista?

!

o julião é minusculinho.

mínimo

já falta pouco


esta é uma maternidade de estrelas


sardinha no oceano



estou aqui à janela da casa de banho, onde se apanha net de borla que vem do teatro faialense e onde se pode ir fazer xi-xi enquanto a net lenta demora a abrir uma página.


hoje está sol, o que não acontece todos os dias. o gato está feliz e não é o único.

viver aqui não é calustrofóbico nem nada disso. viver aqui é fixe.


dentro da ilha do faial há paisagens muito fantásticas e não arranjo outra palavra para as descrever. gosto mais do interior do que da costa, mas na costa é que se vive. o interior é para se ir lá beber aos poucos.


não há borrego no talho e a salsicharia lisbonense não vende salsichas.


às vezes acordo à noite com o barulho das ondas.


o pico o pico o pico o pico o pico o pico

ai o pico

é deus ali à frente.

Flores e Laranjas

uma vez
há muito tempo
quiseram-me vestir assim
como a menina lá de trás
posso dizer que é horrível
ter de ter uma coisa daquelas
sem a deixar cair
a dar-nos cabo do pescoço
:
é naquela idade que nos fazem dessas
antes não conseguimos
e depois já não deixamos
:
quanto ao leão aqui da frente
é feito de laranjas
e em relação a laranjas
tenho a dizer
que
hoje em dia as laranjas
têm vitamina C
mas não têm Caroço
:
fico à espera de azeitonas
cada vez maiores
mais doces
e sem caroço
nem espaço de caroço
tudo azeitona
assim como tudo é laranja
nas laranjas
sem caroço
!

carris e metro


estava eu a passar pelo sítio ilustrado na foto
sentada num autocarro e parada no trânsito
e pensei porque é que mesmo assim me sentia melhor
do que indo de metro. vou numerar
  1. a viagem parece mais curta *
  2. dá menos trabalho entrar num autocarro do que no metro **
  3. as pessoas estão mais desinibidas ***
  4. (no meu caso se fosse de metro tinha que mudar e indo de bus não tenho)

* mesmo que a viagem seja mais longa ou mais morosa por haver trânsito, como temos coisas com que entreter os olhos e a mente fora das janelas, ela parece sempre mais curta

** trabalho que dá entrar no autocarro: ir até à paragem. esperar, entrar no autocarro e passar o cartão. trabalho que dá entrar no metro : ir até à paragem, descer um lance de escadas, passar o cartão, passar a porta, descer outro lance de escadas, esperar, entrar no metro (isto quando não há mais lances de escadas)

*** não sei a razão disto, mas o certo é que é verdade

isto é uma das muitas questões de economia pessoal com que uma pessoa na cidade se debate

abrir os cofres











é clicar para poder ler e ver
as cores estão um pouco maradas
e faltava algum rigor/vigor no traço

mas elas estavam escondidas
e quiseram vir cá para fora
(já têm 2 anos!)

a espera


este tema vem a propósito de várias coisas, umas mais importantes e outras mais irrelevantes.
como de qualquer forma a única coisa constante é o presente
penso que isso de alguma forma faz dele uma coisa relevante e importante, sempre.
desde as maiores esperas, as que duram dias e talvez meses
às mais pequeninas, que um pão fique torrado
a espera é uma coisa sólida e palpável
porque irremovível
quando estamos nela
porque é apenas ultrapassável esperando tudo o que há a esperar
e só piora se desesperarmos.

enganar a espera fazendo outras coisas
às vezes é bom
mas a espera em si pode ter um bom sabor
esperar é ter esperança

ter esperança é estar de esperanças
e se esperas, sempre alcanças.

Lisboa II

  • a estação de comboios de Benfica tem sempre tanto vento que até dá raiva

  • a estação de comboios de Sete Rios é muito feia e desorganizada por dentro

  • a estação de comboios de Entrecampos tem o mesmo problema que a anterior

  • estas três estações são todas a seguir umas às outras na linha de Sintra.


não gosto de dizer mal mas ainda gosto menos destas estações.

Passeio da Fama

Ah, Lisboa sempre é Lisboa!


O sítio onde estou a estagiar permite-me encontrar
O Eça, o Camões e o Pessoa todos os dias antes e depois do almoço (que é nas Belas Artes).
por isso eu sou o que se chama "uma tipa com sorte".
.
e
estou a estagiar numa produtora cujo nome
é uma síntese de
Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia.
.
também encontro sempre o Chiado, mas desse só conheço a estátua e o sítio onde nasceu


do privilégio de ver


Já falei aqui uma vez sobre a televisão e a realidade. De se poder ver coisas na televisão que não se podem ver na realidade, mesmo que se esteja ao pé delas. VER é um privilégio.

Desde há muito tempo que os castelos são construídos nos altos dos sítios. E, mesmo agora que perderam a sua função protectora, as pessoas vão lá acima para VER os arredores. E sobem a torres e compram casas com vista para aqui e para ali. O tamanho das janelas mostra a diferença entre um prédio de habitação social e de um de luxo.

Os bilhetes no teatro, futebol e outros espectáculos são, claro tanto mais baratos quanto pior se vê. E etecetera.

Assim era até aparecer o cinema e a televisão. Em que tudo é mostrado a toda a gente, do mesmo ponto de vista. Aliás: do MELHOR ponto de vista. O da câmara. E então as pessoas passaram a ver tudo: as emoções das princesas em grande plano, vistas de satélite, pisaram a Lua, desceram aos Oceanos, foram ao antigo Egipto, afundaram-se com o Titanic, viram mil maneiras de fazer amor, aprenderam a fumar e a beijar e tantas outras coisas.

Uma pessoa fica de tal forma habituada a essa democracia que não percebe como é que é possível só haver um Palácio da Pena. Ainda há muitas coisas que não podemos ver, nem mesmo num ecran. Com um ecran não se pode viver no Palácio da Pena, e é bem capaz de ser o melhor sítio do mundo para se estar. Com um ecran não veríamos a vista que se terá de lá.

Nada está democratizado, embora a câmara de filmar às vezes dê essa impressão. Mas não é mau. Afinal quase podemos ser todos um bocadinho kings of the world. Pelo menos podemos imaginar melhor como seria.

EM REDONDO!

Domingo 24 de Junho
no Centro Cultural do Redondo!
vinde... aos magotes!!

Redondo Escandinavo?


Procurei no google imagens a palavra Redondo.
















(e estas não são as únicas!!!)




Convido à contagem do número de fotos de neve que encontram na primeira página de resultados se procurarem por

Espécie de Humanos

Se olharmos para nós como um todo, as coisas sentem-se de outra maneira. Falo dos humanos enquanto espécie. Segundo sei, as espécies vivas, ao longo das suas gerações, estão em constante transformação, o que advém, principalmente, do meio ambiente onde estão e da sua forma de viver nele. Só como exemplo: os tibetanos estão mais aptos que nós para viver em altitude – mesmo que vivam ao nível do mar. A vida adapta-se às “contrariedades”, tornando-as banalidades.

Isto vem a propósito de um tema considerado fundamental: a saúde. Porque temos que comer isto e aquilo e fazer tal e coiso, se não…

De certeza que, há 150 mil anos, nenhuma pessoa queria, devia ou precisava de fazer jogging. Mas hoje em dia isso é necessário – é o que se diz. Porque os hábitos mudaram. Mas os hábitos já andam a mudar desde sempre. E isso é que nos tornou nestas criaturas que aqui vemos. A menos que queiramos a todo o custo continuar a ser iguais amanhã ao que somos hoje, não vale a pena preocupar-nos muito, porque o mundo há-de ir dar a algum lado, e não importa muito o que seja. O que se aplica em aqui é: “o que não mata, engorda”.

- trata-se de confiar plenamente na (e deixar o trabalho todo para a) chamada selecção natural -

É claro que isto é num sentido global, porque se quiserem ter as vossas egoïstices e serem super-saudáveis vocês mesmos, egoïstem-se praí, que também é fixe.


Esta placa foi posta na nave Pioneer 10, com uma mensagem desenhada para o caso da nave ser interceptada por extra-terrestres. Contém figuras de seres humanos nus e símbolos que tentam explicar a origem da nave. A nave descolou em 1972, continuou a enviar dados até 2005, nessa data encontrava-se à distância de 89,7 Unidades Astronómicas do Sol. Cada UA corresponde à distância Sol-Terra.

(o que segue é copy paste da wikipedia):
Physical properties:

Material: 6061 T6 gold-anodized aluminum
Width: 229 mm (9 inches)
Height: 152 mm (6 inches)
Thickness: 1.27 mm (0.05 inches)
Mean depth of
engraving: 0.381 mm (0.015 inches)
Weight: approx. 0.120 kilograms

VOLTOU


I feel at home whenever
the unknown surrounds me
I receive its embrace
aboard my floating house

Marôvas


A rodagem já foi.
Melhor era impossível.
O ti Zé Marôvas é o melhor.

a história foi desmistificada e contada como sendo verdadeira.
(ver comentários ao post Nesta Esquina)

um poema tão verdadeiro como qualquer outro

os feios procuram a beleza
os belos procuram a bondade
os bons procuram a loucura
os loucos encontram a eternidade

Arquitectos de casamentos


O primeiro plano do "querido Carlos Alberto" é de uma pequena noiva com um fundo feito pelo Calatrava (Estação do Oriente).

Em Valência, onde o Carlos Alberto foi este fim de semana, há montões de noivas a sério a serem fotografadas na Cidade das Artes e das Ciências, do Calatrava.

Há os fotógrafos de casamentos.
Podia haver mais arquitectos de casamentos.

Piadas, piadinhas e comédia















"O que eu gosto é dos filmes para rir." anónimo

Há uma profissão, a mais antiga do mundo, que é a de fazer rir as pessoas. Abençoada profissão é essa. Não é muito difícil provocar umas gargalhadas, mas não é nada fácil fazer das gargalhadas profissão. Ignorando à partida todos os que vivem de peidos, piadas ordinárias, racistas, machistas, e outras escatologices do género, já não nos sobram muitos humoristas. Se desses retirarmos ainda os que se resumem às piadas faladas ficamos na mão com um reduzidíssimo número de pessoas das melhores que existem no mundo. São os cómicos. Os verdadeiros.


Esses não se servem de esquemas, mas sim do seu sentido de humor. São os primeiros a rir. São de todas as pessoas do mundo, as mais inteligentes. É preciso sê-lo para fazer uma coisa para a qual não há explicação. O que é que faz rir as pessoas? A única resposta a isto é de La Palice: as coisas engraçadas. Ou se é engraçado ou não se é. O que faz com que seja uma profissão assaz complicada. Porque o que é engraçado à hora de almoço já não tem piada à hora de jantar. Tem piada uma vez, duas e depois chega. Todos nós já ouvimos isso quando repetimos um esquema que, normalmente nem sabemos como, funcionou uma vez.


Herman José é o nosso exemplo mais próximo e óbvio. Foi um cómico, hoje é um profissional da TV sem piada nenhuma. O que não lhe tira o mérito pelas gargalhadas de outros tempos - e as de agora quando voltamos a ver algumas das suas coisas. Mas os cómicos não costumam ficar para a história. Os seus feitos são retroactivos. Quem quer saber agora que o não sei quantos fez rir muito em 1487? Óptimo para quem se riu dele e óptimo para ele que fez rir os outros!


Com o aparecimento das imagens gravadas é claro que o caso muda de figura. Porque podemos ver o Buster Keaton e rir com ele. As glórias passadas são glórias eternamente presentes - quando o são, porque muitos cómicos do princípio do cinema não resistiram à passagem do tempo.


O mesmo se passa com outros actores, os das tragédias e dos filmes nem sim nem sopas. Mas o que é interessante é que a comédia é o mais popular dos géneros, o que chama mais gente aos espectáculos (e à tv e ao cinema) e por isso é de todos os géneros, o que mais directamente pode reflectir a vida das pessoas e fazê-las pensar em si próprias. No seu ridículo. Mas de uma forma que não magoa ninguém. Nem deprime. Faz rir. A rir, o mundo pula e avança.


Nestes dias que correm, os cómicos portugueses que vingam são os 4 ali de cima. 4 génios que ficam, pelo menos, para a história da televisão. Por enquanto, assistimos à idade de ouro dos gatos fedorentos. Isto pode continuar ou pode mudar. Mas o que interessa é que o país se ri, pula e avança. Agora, que é sempre a altura em que isso faz mais falta.




Leilão de Sonhos


Ao longo deste blog - não fiz nenhuma promessa - tinha mais ou menos assente que não ia andar a comentar coisas dos jornais, da televisão, da internet - da actualidade enfim! Não que não me apeteça - a todos apetece - mas porque (obviamente) muitos o fazem. E porque a actualidade é a primeira a ficar fora de moda.
Mas desta vez abro excepção. Porque há coisas muito boas na internet - a nossa iguariavisual é aliás prova disso (mas com classe).
Quem quiser uma experiência de sonho, faça o favor de licitar. O Paulo Pires, claro, vai receber por esta experiência do inferno. Mas estará a sorrir, quando for passear os cães dessa vez. A sorrir e bem-disposto. Porque essas coisas pagam-se e compram-se.
E vendem-se.
E, principalmente... fotografam-se!!!!
Experiências de sonho......

Nesta esquina


Na estrada que liga Lisboa a Espanha, há uma loja pequenina.
Poucos passam na estrada sem a ver.
Poucos que passam por ela entram lá dentro.
Mas só um fica para ver os outros passar:
o Sr. José Marôvas, que é o dono da loja.
E nós vamos fazer um filme sobre isso.

Filmar é Aspirar


uma câmara é um aspirador de imagens.
um aspirador é uma câmara de armazenar pó.

O drama da assembleia


Queres entrar na assembleia da república e todos parecem levar tudo muito a sério: muita segurança, nada nos bolsos (só o BI!), detector de metais e polícias que apitam sempre que passam no detector de metais... Sobes umas escadas que te levam aos camarotes onde és público e não podes vaiar, nem principalmente aplaudir. Nem sequer te podes debruçar ou, ai ai, pôr os pés entre os pilarzinhos da balaustrada. Se lhes atirares com qualquer coisa (só se for o BI, ou um sapato, umas cuecas, a roupa toda, tu próprio!) tens direito a 3 anos de prisão. Aí percebes que não és tu o “público-alvo” daquele espectáculo, tu és apenas uma testemunha silenciosa. A acústica do sítio nem te permite seguir de perto todas as palavras proferidas pelos sagrados actores. O verdadeiro público são os microfones (ainda mais que as câmaras), os jornalistas estão presentes, num sítio especial só para eles e estão munidos de walkman, que até parece que estão a ouvir outra coisa qualquer e não o que está a acontecer naquela sala. Mas os das galerias, nós, não temos walkman, e quando parece que ouvimos a palavra democracia, era afinal tecnocracia...

O verdadeiro público, o que interessa, é o que está à frente da TV, ao lado do rádio, atrás do jornal. E digo isto como se não fossem os mesmos que vão assistir à AR! Mas estes são muito poucos, deputados estão lá para falar para as massas, sobre a gestão da massa e para ganhar muita massa. massocracia?

Quando olho, por decima da balaustrada, para aqueles actores, vestidos e penteados, engravatados, imagino a senhora que lhes lava a roupa e a passa a ferro. Não pelo lado comunista da coisa, mas pelo lado dramático. Interessamo-nos pelas coisas pelo seu dramatismo e é por isso que nos interessa a assembleia da república. –sim porque a AR em si não tem interesse nenhum!- Se não fosse a ideia/ilusão/crença que o que ali se faz é o que mais influencia os nossos destinos e se não fosse por todo o país pagar àqueles artistas para representarem o seu papel, e, sobretudo, levarem-no a sério, aquele era um espectáculo sem sucesso. Porque o que dizem é chato. Contudo, são excelentes actores (uns mais que outros), porque se o não fossem não conseguiríamos aguentar aqueles longos monólogos, ainda que moderados por uma máquina que conta os tempos pelo presidente. Monólogos daquele tamanho, não digo no teatro, mas no cinema eram vaiados. Só por causa do tamanho, logo, ainda antes do conteúdo. Eram vaiados. Portanto eles são mesmo excelentes actores – ou então o público é mais exigente no cinema do que na assembleia. Talvez porque sabe/acredita/acha que o que se passa no cinema não influencia em nada os nossos destinos.

E o amor/dedicação/paciência da senhora que passa as roupas do doutor a ferro? Não influencia o destino de ninguém? Pelo menos acho que é para isso que lhe pagam.

http://ilhascook.blogspot.com/

a partir de agora, para se ir aos melhores blogues do mundo basta recordar o seguinte endereço:





2007, desejos e pensamentos

Em Janeiro abrirei
o frigorífico
e pensarei:
assim é ser-se humano
tá tanto frio lá fora
e cá dentro gastamos energia
para ter o que há de borla no exterior.

Em Fevereiro
verei as arvorinhas a despontar botõezinhos
e pensarei:
que bonito é começar, sempre começar.

Em Março Marçagão
vai ser o dia da árvore
e eu pensarei:
tantos folhetos e cartazes para salvar árvores
assim as matamos para limpar as nossas consciências.
(como se alguém tivesse alguma vez
levantado o dedo do ralhete ao ser humano este).

Em Abril
vai ser o 25 de
e eu pensarei aquilo que pensamos todos sempre.
Viva a (avenida da) liberdade.

Em Maio
vou andar de t-shirt e pensar:
como era bom o calor directo na pele,
há meses que o não sentia.

Em Junho
vou começar a gostar um bocadinho menos de Lisboa
e a culpa não é dela
é de eu gostar de a ver com pessoas
e não gostar de a ver com pouca gente.

Em Julho
vou pensar
azul.

Em Agosto
vou pensar
laranja.

Em Setembro vai tudo voltar
e vai haver tanta promessa no ar
e
eu vou pensar como sempre pensei
que Setembro é mês mais característico do ano.

Em Outubro
vou começar a pensar naquilo do frigorífico
ou pensar "que calor que ainda faz, nem parece Outubro".

Em Novembro
vou esperar até ao fim do mês que chegue a bolsa de dois meses e pensar...
ah, eu sei o que vou pensar!!!!

Em Dezembro
vou pensar em luzinhas e em tantas outras coisinhas.

Feliz Natal






feliz natal

às barbies
às donas das barbies
às bonecas das barbies
às mães das barbies
às filhas das barbies
feliz, feliz natal




Poema aos diferentes tipos de felizardos que existem no mundo


meninos ricos

gajos bons

tipos inteligentes

promessas do futebol

da economia

futuros presidentes

bons escritores e poetas

arquitectos e profetas

sabichões e bons atletas

eloquentes gargantas

pernas que correm bem

cineastas importantes

sacanas e filhos da mãe

aos honestos, desonestos

aos altos, aos baixos e aos gordos - e de todas as idades

-este poema é só para gajos-

eu digo-vos: felicidades

Poema Transcendental a Uma Jovem Gaja Virginal

Vou-te dizer algo fundamental
O mais perigoso é o Sexo Oral
Se ele o faz bem ou se ele o faz mal
Eu não sei, o pior será qual?
Se ele não presta, é um perfeito anormal
E já nada poderá ser igual
Mas se o fizer bem pode ser genial
E tu vais pensar que ele há-de ser O TAL
E isso filha, pode ser-te fatal.
*e já agora: feliz natal

No Outono as aves migram


as aves voam
vão a voar
veem a vista
no vento
tudo nelas tem a forma de um vê
cada uma é um vê
um grupo delas é um grande vê
e vão e vêm no vento
e voam e veem a vista

Uma nova quadra para "Ó Rama e ó que linda rama"

Eu amo como o ribeiro
Gosto de ti e não gosto
Corro p'ra ti em Janeiro
E seco sempre em Agosto

Estudos I



Médicos acham que os seus doentes deviam estar mortos

"Mas você já devia estar morto!" Esta é uma frase comum nas conversas médico-paciente. "O meu médico disse que com o meu nível de colesterol, eu devia estar morto". Estudos recentes nos hospitais portugueses revelam esta extraordinária notícia: ao medirem a diabetes ou o colesterol dos seus pacientes (entre outras coisas), os médicos não conseguem coibir-se de exprimir o seu desejo pela morte do paciente.


* estudo feito por aurorasardinha através de conversas várias, principalmente nas de cirscunstância

Que farei eu com esta fita?


Edison e Eastman com a câmara e a película, ambas de 35 mm.

Lisboa I

  • vi uma senhora a atravessar toda a avenida da república com um gato ao colo. o gato estava calmo. se eu fosse ao colo de alguém a atravessar a av. da república não estaria calma, ainda para mais sendo gato.
  • é fácil entender quais são os sítios onde os cães preferem fazer xixi. com o passar dos anos (décadas) fica preto. nunca notaram? eu nunca tinha notado. e contudo, vê-se muito bem. preto mesmo, preto escuro!
  • o mundial tirou a atenção às vacas.
  • há mais bandeiras que em 2004 (?) mas em menos sítios. parece-me...

O jogo de futebol, esse filme.

Até no tempo que duram, são parecidos. Um jogo de futebol e um filme são ambos entretenimento e uma hora e meia de entretenimento é bom para o ser humano. Menos que isso sabe a pouco, mais que isso cansa.

Nunca podemos esquecer que o ser humano tem caprichos e limites e que tudo o que é humano é feito à escala humana. Por isso é que filmes como “Drawing Restraint 9” são tão insuportáveis porque exigem o inumano de nós. Para fazer um filme temos que entender o que é um filme. E é um bocado de tempo que alguém se dispõe a passar em frente a um ecrã para viver sentimentos e emoções. Não existem muitas formas de viver sentimentos sem ser da mesma forma que os vivemos na vida real: com história. As histórias são quase sempre vividas da mesma forma: “Eu e o que eu consigo ser no mundo”. Os melhores filmes têm o herói com o qual nos identificamos, o qual somos. Os melhores jogos são os que têm a nossa equipa, a equipa que somos nós.

A gestão da atenção e das energia, o que faz o ritmo de um filme um bom ritmo é das tarefas mais sensíveis no processo de fazer um filme. É também o que nos faz ficar contentes com um jogo de futebol. A receita base não é complicada, utilizamo-la para tudo, até no sexo. Se começarmos de forma branda e formos aquecendo gradualmente até um ponto máximo (clímax) e nos despedirmos de forma grandiosa está o sucesso garantido. Mas isto é só a base, as variações no interior da base são múltiplas, é só preciso criatividade e sensibilidade.

Grandes histórias são as que nos deixam impacientes por saber o final e isso só pode acontecer enquanto ainda esperamos que no final pode acontecer qualquer coisa e só há uma coisa que nós queremos. E essa coisa é sempre ganhar. No futebol isso é mais óbvio, mas mesmo nos filmes não deixa de ser verdade, ainda que às vezes para ganhar mais seja preciso perder. O Romeu e a Julieta ganham muito mais morrendo do que ganhariam ficando juntos e vivos. Por isso é que os grandes jogos de futebol não são aqueles em que a nossa equipa é esmagadoramente vitoriosa do princípio ao fim do jogo, mas antes aqueles em que temos que lutar sempre até ao fim. Esses vale sempre a pena ver, de olhos colados no ecran.

As pessoas não vêm tanto futebol quanto vêm filmes? Quando vêem filmes, as pessoas já sabem que “aquilo é tudo mentira”. Mas no futebol, que não é menos mentiroso que o cinema, ainda há muito quem acredite. E isso é tão poético, que me comove. Gostava muito que se vissem filme com tanta emoção com que se vê o futebol. Eu vejo filmes com muito mais emoção que jogos de futebol, mas nunca saltei a gritar dentro de um cinema. Porque apesar de tudo, há sempre coisas mais fortes que nós, na vida. J Ganhar-lhes seria um jogo, um filme.

Esperemos que este filme em episódios do mundial acabe bem.

1ª imagem: Esmeralda e a bola da Esperança
2ª imagem: Deco e Javad Nekounam (Irão) e a bola TeamgeistTM.

A Esmeralda e o Carlos







Não sei como se publicitam coisas. Por isso é que não vêm muitas pessoas a este blog. Mas para quem vem ficam aqui as primeiras imagens "públicas" do filme que quase de certeza se vai chamar "Carlos Alberto", mas pode muito bem vir a chamar-se qualquer outra coisa.




Como é que se escolhem as imagens para serem as primeiras aparições públicas de em filme que só tem 19.500 imagens no total? (13min. vezes 25 img/seg). As longas metragens costumam
ter cerca de 180.000 imagens no total.

As imagens mais bonitas devem ser guardadas para quem vê o filme? Mas tinha que escolher umas suficientemente boas para vos fazer querer ver o filme.

Não quero dar uma ideia errada do filme, por isso tenho que escolher "stills" que mostrem de que se trata, mas que também não sejam demasiadamente reveladores!

Há planos gerais que podiam servir, mas estes stills que aqui vos trago são de tão má qualidade que não aguentem mais que o tamanho mínimo e então tudo o que havia nos planos gerais iria ficar mesmo assim minúsculo e não se via nada.

Por isso são estas as imagens escolhidas. Por agora.