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arrumações de mails... poemas antigos.


I
Cá é noite preta
dormente
reflexos de candeeiros fiéis
nos vidros das janelas fechadas corridas
e murmúrio das ondas
desabafadas.
Grilinhos tilintam as asas
e duas ou três luzes
dentro das janelas
revelam
olhos abertos
por trabalho amor ou arte.
Lá é estonteanto o calor e o sol
pernas untadas
repousam no quente da areia
e anseiam pelo
por pouco adiado banho
bilhetes de avião
levaram-nos até lá
para que agora
quando aqui é noite
se espraiem pelas praias
e se desviem da sombra das palmeiras
todas estas sensações
díspares e distantes
em características e espaço
acontecem ao mesmo tempo
no mesmo preciso instante.
e o que significa isso?
significa um tudo e um nada
porque é absoluto o facto
mas pode até ser encarado com indiferença
ou com ignorância
só que surpreende quem nisso repara e pensa

II
anda cá mau tempo
cobre-me a figura
perpassa-me por cima
como se houvesse
razão para o meu andar
assim sem dor nem
razão de sobra
mas de um cinzento
ventoso assim
bem da tua cor e fisionomia
anda cá mau tempo
defender-me dos solarengos
num dia como o de hoje


Minha passagem para o breve breve instante da loucura

Como pode haver tanta emoção no primor rígido e intacto desta figura?
Como se os sentimentos dele só existissem na voz e no punho fechado?
E tudo o que daí sobra fizesse mover uma orquestra inteira?
Acho que ainda gosto mais desta do que da "Estrela da Tarde".



É mesmo!

Porque será que nós temos
Na frente, aos montes, aos molhos,
Tantas coisas que não vemos
Nem mesmo perto dos olhos?

-António Aleixo

Redondo



Voltar à terra onde se cresceu, mesmo no meio da chuva.

Tudo parece diferente, sempre tão diferente.
Mas pouco mudou desde que lá estive a última vez.
Parece diferente do que me lembro. E será cada vez mais diferente disso. 
Mas do que é que eu me lembro?
De outra escala, de outras cores e acima de tudo, outros sentimentos.
Emoções! 
Lembro-me deste quadro: uma reprodução na sala de dentro de um café que ainda é igual ao que sempre foi (mais ou menos). Até o cheiro do espaço ainda é igual (esse sim). E o sabor dos pastéis de amêndoa (mas desta vez comi uma empada).
Entrar ali é como entrar numa igreja. Numa ermida.
E esta pastorinha é uma santa numa capelinha refundida.
Ela está igual, sempre igual, ao que me lembro dela.
Tão linda...
Desta vez tirei-lhe uma fotografia, com o telemóvel....

Cor e luz

Chagall

Recolhas


"Olhei para o sol e vi que não tinha cara, olhei para a lua e vi que tinha olhos e boca." 

Julião Agostinho, dia 11 de Fevereiro de 2012, Biblioteca de São Roque do Pico

recolha de Fernando Nunes, poeta aqui 

http://atenasgavetascresceanis.blogspot.pt/

O Experimentar


ouvir e comprar o disco aqui

O amor nunca acabará.

Folhas, flores, frutas de ouro

E eu, açorianinha emprestada,
dizia "em tipo de gozar"
que desde que aqui vivia
na limpidez/bruma (é à vez)
o continente me parecia todo bege.

Aqui o mar e céu azuis
a pedra preta
as plantas verdes.

azuuul
preeto
veeerde

e chegava lá,
era logo do avião que se via
que aquilo era tudo bege.

Até o alcatrão e o branco das casas amarelecia de pó.

Mas foi com a canção de há 2 posts atrás que se me fez luz.

Não é bege, é de ouro.
O pó não é poeira
é feldspato. É mica.

Pó de fada.

"Meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de ouro"

Saudade

Aqui está tão bem expressa
aquela saudade que tenho sempre de uma terra que em pormenor é o Redondo,  a média escala o Alentejo, e em maior, o continente. Até Espanha está incluída. Enfim, o que me falta é o sequeiro...
O sequêro....!

Amália a cantar José Régio:

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro.
Vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.


o enguiço


e em cada dia que passa
passa-se por onde se passa
faz-se o que se possa e se faça
nessa parte sobra sempre
o que se sente e que embaça
e não sai porque não passa

mas mesmo assim
há sempre aí
um pequenino chinfrim
que acutila o teu jardim
e te afia o teu sorriso

e mesmo aquilo que é retido
sempre ganha algum sentido
e se fica é porque pede
de ti algo que ele bebe

entre a tua e entre a disso
haverá sempre esse enguiço
desembrulhas-te e isso enrola-te
tu libertas-te, isso esfola-te
safas-te alguns bocadinhos
mas isso aninha-se ainda
e enquanto assim fores vivendo
vais puxando
vais comendo
aos poucos envelhecendo
só que nunca houve outra hipótese
e assim se vai passando
o que se passa e nunca pára
te trespassa e não se cura.

Innocence Song

Piping down the valleys wild,
Piping songs of pleasant glee,
On a cloud I saw a child,
And he laughing said to me:

"Pipe a song about a Lamb!"
So I piped with merry cheer.
"Piper, pipe that song again;"
So I piped: he wept to hear.

"Drop thy pipe, thy happy pipe;
Sing thy songs of happy cheer!"
So I sung the same again,
While he wept with joy to hear.

"Piper, sit thee down and write
In a book, that all may read."
So he vanished from my sight,
And I plucked a hollow reed,

And I made a rural pen,
And I stained the water clear,
And I wrote my happy songs
Every child may joy to hear.

(introduction to Songs of Innocence)
William Blake

Redemption Song

"Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
cause none of them can stop the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look? ooh!
Some say its just a part of it:
We've got to fulfil de book."
Bob Marley

under the sea


lá em baixo
é que é o planeta terra
é que é o mundo dos sonhos
é que há de tudo
cá em cima
é só e apenas uma epidermezinha onde estão os parasitazitos
ácaros e tal.


é é

às vezes

o estado enervado de uma pessoa aumenta a um ponto que quase parece sem retorno
outras vezes a preguiça deixa cada músculo do corpo e da mente num estado que parece eternamente vegetativo

mas na maior parte do tempo estamos semi-rígidos, semi-activos, parcialmente atentos, moderadamente confusos, um pouco cansados mas com forças para continuar; capazes de sorrir e de censurar, de esquecer e de lembrar, sem ressentimentos à flor da pele e sem gratidões especialmente sentidas.

essa maior parte do tempo esvai-se sem que nos recorra em lembranças mais tarde.
essa maior parte do tempo é a vida.

e ela é a resposta para estas perguntas da Björk:

"His embrace, a fortress
It fuels me
And places
A skeleton of trust
Right beneath us
Bone by bone
Stone by stone
If you ask yourself patiently and carefully:
Who is it ?
Who is it that never lets you down ?
Who is it that gave you back your crown ?
And the ornaments are going around
Now they're handing it over
Handing it over
He demands a closeness
We all have earned a lightness
Carry my joy on the left
Carry my pain on the right
If you ask yourself patiently and carefully:
Who is it ?
Who is it that never lets you down ?
Who is it that gave you back your crown ?
And the ornaments are going around
Now they're handing it over
Handing it over"

Heaven is What























Heaven is what I cannot reach!
The apple on the tree,
Provided it do hopeless hang,
That "heaven" is, to me.

The color on the cruising cloud,
The interdicted ground
Behind the hill, the house behind, --
There Paradise is found!
emily dickinson
desenho de jorge queiroz