Mostrar mensagens com a etiqueta expressão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta expressão. Mostrar todas as mensagens

extravasar

Há aqui na Horta, perto de nossa casa, uma casinha de um senhor. Sempre que por lá se passa podemos ouvir a missa em altos gritos, ou o Quim Barreiros, ou a Júlia Pinheiro ou qualquer outra coisa que nem sempre é bom ouvir em altos gritos. O volume do som contrasta com as dimensões da casa. Mínima, e com a porta aberta numa óbvia tentativa de respirar. Acredito que a gritaria não seja por o senhor ser surdo mas sim por essa necessidade de extravasar as paredes da sua casinha. Que importa se as pessoas da rua estão interessadas em ouvir... o que importa é sair, sair projectado daqui, entornar-mo-nos daqui para fora. Não é um senhor jovem que possa sair correndo até à praia e mergulhar. É uma forma diferente de o fazer, esta.

Assim os carrinhos que no continente se chamam mata-velhos ou papa-reformas abundam aqui, assapam pela marginal, muito quitados e com o tum-ts-tum a bater tão rápido quanto o seu coraçãozinho de carrinho pequenininho.

Engraçado não é? Acho que deve ser por a ilha ser pequenina e por não conseguirem pôr a caldeira a cantar o Hino dos Açores ao atlântico inteiro... cada um à sua escala!!

reconheço logo existe














Sei quando as pessoas querem alguma coisa

É quando vejo na sua expressão aquilo que sinto quando quero alguma coisa
Sei quando os animais querem alguma coisa
É quando vejo nas suas expressões aquilo que vejo nas pessoas quando querem alguma coisa
Sei quando as plantas querem alguma coisa
É quando vejo nas suas expressões o mesmo vigor que vejo nos outros seres com vontade

Mas muitas vezes não consigo perceber a vontade dos minerais
ou o que sentem eles
Porque não reconheço neles aquilo que reconheço nos outros
Não há dúvida de que são diferentes
Ainda assim há aquelas vezes em que os percebo tão bem
que reconheço que eles sentem muito mais do que aquilo que eu posso perceber

Hei-de estar mais atenta
É que o que eu mais gosto mesmo neste mundo é de expressões.

olá pedro!

Olhem que sabe bem
e mais que bem
encontrar um blog de um amigo
e gostar-se tanto que se vem rever o nosso
para perceber o que é que estava mal
e com a inspiração recebida tentar melhorá-lo!

http://o-calor-e-humano.blogspot.com/

eu devia poder ler uma expressão assim
vinda de todas as pessoas que conheço!

o cinema do cotovelo oeste


Da minha janela tenho vista para a rua toda, desde o cotovelo leste ao cotovelo oeste. A minha janela fica virada a sul, por isso o sol entra-me em casa durante todo o dia. Sinto-me feliz com isso. O homem europeu também andava sempre do lado do sol.
.
Passava para lá de manhãzinha e depois para cá à tardinha. Aos fins-de-semana passava muitas vezes. Parecia gastar os dois dias de descanso entre o cotovelo leste e o cotovelo oeste. Eu não me admirava com isso. No lado oeste da rua, depois do cotovelo, existe o CINEMA. O homem europeu gosta de cinema. Durante a semana trabalha e não pode ver as fitas, mas ao fim-de-semana vê-as todas. Durante o intervalo entre sessões vai sempre a casa, que fica no cotovelo leste. Por isso passa tantas vezes debaixo da minha janela, deixando no ar um fumo seco de cigarro espanhol.
.
É claro que já troquei com ele algumas palavras. Nem sempre é um tipo simpático, mas sempre atento e nunca arrogante. Já houve quem lhe chamasse ignóbil mas nunca o vi ultrapassar os limites da decência.
.
Costumava andar sozinho. Nos finais de tarde dos sábados fazia-se acompanhar no seu passeio por uma rapariga séria, morena e de grandes olhos tristes. Iam à sessão da noite. A rapariga levava o casaco de malha dobrado e pendurado no braço quando iam para o cinema e apenas pousado por cima dos ombros no regresso. Não raras vezes vinham a conversar. Ela não parecia mais animada do que antes, mas podia adivinhar-se que as conversas que mantinham eram sobre o filme.
.
Permaneço horas a fio à janela do meu quarto, porque sou muito preguiçoso e gosto de ver os meus semelhantes.
.
O homem indiano era assaz diferente. Passava sempre de manhã e sempre do lado da sombra. Era alto e magro e vestia uma túnica cor de açafrão que ondulava ao andar e deixava no ar uma mistura de incenso e cravinho. Só há filmes indianos de manhã, aos dias de semana. O homem indiano via-os todos, alguns repetidas vezes. Quando para lá ia acenava-me e perguntava-me sempre num português perfeito: "O senhor engenheiro passou bem?" E eu respondia sempre amavelmente. Muitas pessoas da rua o apelidavam de arruaceiro. Nunca o considerei tal. Tinha até gosto em ser seu vizinho.
.
A sua loja era no cotovelo leste, perfumada e colorida, onde atrás do balcão 1000 gavetas guardavam produtos culinários. Três lindas raparigas, suas filhas, sorriam e atendiam. Nunca lá comprei nada senão pimenta, único condimento ainda tolerado pelo meu delicado estômago, num pouco de queijo fresco de perfume branco.
.
O homem indiano ficava no cinema a manhã toda e voltava cantando as músicas do filme. Eu sorria para mim mesmo. E perguntava-lhe: "Acabou bem?" E ele geralmente acenava alegremente que sim, mas vezes havia em que dizia apenas "Ai que pena, senhor engenheiro... é a vida!"
.
Só que não era a vida, eram os filmes. Mas não fazia mal. A vida do homem europeu e do homem indiano eram os filmes. E a minha era o filme da minha rua.

Canção de como salvei a minha tia Sara de um resfriado nas extremidades

estava a papar
e uma mensagem
caiu do ar
dum personagem
do outro mundo
na minha sopa
caiu no fundo
sujando a roupa
da minha tia
a que por sorte
já nada via
e até à morte
ela nunca soube
que de ensopado
o seu lindo robe
ficou manchado
*
aquela carta
era para mim
dizia "Marta"
com letra assim
para o diferente
com inclinação
não frequente
lá dentro ainda
era mais fina
era tão linda
tão à menina
que eu gostei logo
li-a a correr
e era um jogo
a não perder
*
era um concurso
de outro planeta
tinha um percurso
e uma meta
a inscrição
vinha no fim
com um cupão
só para mim
fui preenchê-lo
para a cozinha
colei um selo
numa cartinha
e enviei
com os meus dados
depois esperei
os resultados
*
um mês depois
já estava farta
abri a carta
aos safanões
tinha vencido
todas as provas
e recebido
uma meias novas
quis ir contar
à minha tia
mas por azar
já não ouvia
apertei-lhe a mão
que estava gelada
mas no coração
não tinha nada
*
ainda vivia
em meu parecer
mas com a mão fria
por resolver
fui ver das meias
as do concurso
e enfiei-lhas
até ao pulso
*
na sua cara
cara de tia
de tia Sara
algo sorria.

abrir os cofres











é clicar para poder ler e ver
as cores estão um pouco maradas
e faltava algum rigor/vigor no traço

mas elas estavam escondidas
e quiseram vir cá para fora
(já têm 2 anos!)

VOLTOU


I feel at home whenever
the unknown surrounds me
I receive its embrace
aboard my floating house

Marôvas


A rodagem já foi.
Melhor era impossível.
O ti Zé Marôvas é o melhor.

a história foi desmistificada e contada como sendo verdadeira.
(ver comentários ao post Nesta Esquina)

um poema tão verdadeiro como qualquer outro

os feios procuram a beleza
os belos procuram a bondade
os bons procuram a loucura
os loucos encontram a eternidade

Piadas, piadinhas e comédia















"O que eu gosto é dos filmes para rir." anónimo

Há uma profissão, a mais antiga do mundo, que é a de fazer rir as pessoas. Abençoada profissão é essa. Não é muito difícil provocar umas gargalhadas, mas não é nada fácil fazer das gargalhadas profissão. Ignorando à partida todos os que vivem de peidos, piadas ordinárias, racistas, machistas, e outras escatologices do género, já não nos sobram muitos humoristas. Se desses retirarmos ainda os que se resumem às piadas faladas ficamos na mão com um reduzidíssimo número de pessoas das melhores que existem no mundo. São os cómicos. Os verdadeiros.


Esses não se servem de esquemas, mas sim do seu sentido de humor. São os primeiros a rir. São de todas as pessoas do mundo, as mais inteligentes. É preciso sê-lo para fazer uma coisa para a qual não há explicação. O que é que faz rir as pessoas? A única resposta a isto é de La Palice: as coisas engraçadas. Ou se é engraçado ou não se é. O que faz com que seja uma profissão assaz complicada. Porque o que é engraçado à hora de almoço já não tem piada à hora de jantar. Tem piada uma vez, duas e depois chega. Todos nós já ouvimos isso quando repetimos um esquema que, normalmente nem sabemos como, funcionou uma vez.


Herman José é o nosso exemplo mais próximo e óbvio. Foi um cómico, hoje é um profissional da TV sem piada nenhuma. O que não lhe tira o mérito pelas gargalhadas de outros tempos - e as de agora quando voltamos a ver algumas das suas coisas. Mas os cómicos não costumam ficar para a história. Os seus feitos são retroactivos. Quem quer saber agora que o não sei quantos fez rir muito em 1487? Óptimo para quem se riu dele e óptimo para ele que fez rir os outros!


Com o aparecimento das imagens gravadas é claro que o caso muda de figura. Porque podemos ver o Buster Keaton e rir com ele. As glórias passadas são glórias eternamente presentes - quando o são, porque muitos cómicos do princípio do cinema não resistiram à passagem do tempo.


O mesmo se passa com outros actores, os das tragédias e dos filmes nem sim nem sopas. Mas o que é interessante é que a comédia é o mais popular dos géneros, o que chama mais gente aos espectáculos (e à tv e ao cinema) e por isso é de todos os géneros, o que mais directamente pode reflectir a vida das pessoas e fazê-las pensar em si próprias. No seu ridículo. Mas de uma forma que não magoa ninguém. Nem deprime. Faz rir. A rir, o mundo pula e avança.


Nestes dias que correm, os cómicos portugueses que vingam são os 4 ali de cima. 4 génios que ficam, pelo menos, para a história da televisão. Por enquanto, assistimos à idade de ouro dos gatos fedorentos. Isto pode continuar ou pode mudar. Mas o que interessa é que o país se ri, pula e avança. Agora, que é sempre a altura em que isso faz mais falta.




O drama da assembleia


Queres entrar na assembleia da república e todos parecem levar tudo muito a sério: muita segurança, nada nos bolsos (só o BI!), detector de metais e polícias que apitam sempre que passam no detector de metais... Sobes umas escadas que te levam aos camarotes onde és público e não podes vaiar, nem principalmente aplaudir. Nem sequer te podes debruçar ou, ai ai, pôr os pés entre os pilarzinhos da balaustrada. Se lhes atirares com qualquer coisa (só se for o BI, ou um sapato, umas cuecas, a roupa toda, tu próprio!) tens direito a 3 anos de prisão. Aí percebes que não és tu o “público-alvo” daquele espectáculo, tu és apenas uma testemunha silenciosa. A acústica do sítio nem te permite seguir de perto todas as palavras proferidas pelos sagrados actores. O verdadeiro público são os microfones (ainda mais que as câmaras), os jornalistas estão presentes, num sítio especial só para eles e estão munidos de walkman, que até parece que estão a ouvir outra coisa qualquer e não o que está a acontecer naquela sala. Mas os das galerias, nós, não temos walkman, e quando parece que ouvimos a palavra democracia, era afinal tecnocracia...

O verdadeiro público, o que interessa, é o que está à frente da TV, ao lado do rádio, atrás do jornal. E digo isto como se não fossem os mesmos que vão assistir à AR! Mas estes são muito poucos, deputados estão lá para falar para as massas, sobre a gestão da massa e para ganhar muita massa. massocracia?

Quando olho, por decima da balaustrada, para aqueles actores, vestidos e penteados, engravatados, imagino a senhora que lhes lava a roupa e a passa a ferro. Não pelo lado comunista da coisa, mas pelo lado dramático. Interessamo-nos pelas coisas pelo seu dramatismo e é por isso que nos interessa a assembleia da república. –sim porque a AR em si não tem interesse nenhum!- Se não fosse a ideia/ilusão/crença que o que ali se faz é o que mais influencia os nossos destinos e se não fosse por todo o país pagar àqueles artistas para representarem o seu papel, e, sobretudo, levarem-no a sério, aquele era um espectáculo sem sucesso. Porque o que dizem é chato. Contudo, são excelentes actores (uns mais que outros), porque se o não fossem não conseguiríamos aguentar aqueles longos monólogos, ainda que moderados por uma máquina que conta os tempos pelo presidente. Monólogos daquele tamanho, não digo no teatro, mas no cinema eram vaiados. Só por causa do tamanho, logo, ainda antes do conteúdo. Eram vaiados. Portanto eles são mesmo excelentes actores – ou então o público é mais exigente no cinema do que na assembleia. Talvez porque sabe/acredita/acha que o que se passa no cinema não influencia em nada os nossos destinos.

E o amor/dedicação/paciência da senhora que passa as roupas do doutor a ferro? Não influencia o destino de ninguém? Pelo menos acho que é para isso que lhe pagam.

http://ilhascook.blogspot.com/

a partir de agora, para se ir aos melhores blogues do mundo basta recordar o seguinte endereço:





Feliz Natal






feliz natal

às barbies
às donas das barbies
às bonecas das barbies
às mães das barbies
às filhas das barbies
feliz, feliz natal




Poema aos diferentes tipos de felizardos que existem no mundo


meninos ricos

gajos bons

tipos inteligentes

promessas do futebol

da economia

futuros presidentes

bons escritores e poetas

arquitectos e profetas

sabichões e bons atletas

eloquentes gargantas

pernas que correm bem

cineastas importantes

sacanas e filhos da mãe

aos honestos, desonestos

aos altos, aos baixos e aos gordos - e de todas as idades

-este poema é só para gajos-

eu digo-vos: felicidades

No Outono as aves migram


as aves voam
vão a voar
veem a vista
no vento
tudo nelas tem a forma de um vê
cada uma é um vê
um grupo delas é um grande vê
e vão e vêm no vento
e voam e veem a vista

O jogo de futebol, esse filme.

Até no tempo que duram, são parecidos. Um jogo de futebol e um filme são ambos entretenimento e uma hora e meia de entretenimento é bom para o ser humano. Menos que isso sabe a pouco, mais que isso cansa.

Nunca podemos esquecer que o ser humano tem caprichos e limites e que tudo o que é humano é feito à escala humana. Por isso é que filmes como “Drawing Restraint 9” são tão insuportáveis porque exigem o inumano de nós. Para fazer um filme temos que entender o que é um filme. E é um bocado de tempo que alguém se dispõe a passar em frente a um ecrã para viver sentimentos e emoções. Não existem muitas formas de viver sentimentos sem ser da mesma forma que os vivemos na vida real: com história. As histórias são quase sempre vividas da mesma forma: “Eu e o que eu consigo ser no mundo”. Os melhores filmes têm o herói com o qual nos identificamos, o qual somos. Os melhores jogos são os que têm a nossa equipa, a equipa que somos nós.

A gestão da atenção e das energia, o que faz o ritmo de um filme um bom ritmo é das tarefas mais sensíveis no processo de fazer um filme. É também o que nos faz ficar contentes com um jogo de futebol. A receita base não é complicada, utilizamo-la para tudo, até no sexo. Se começarmos de forma branda e formos aquecendo gradualmente até um ponto máximo (clímax) e nos despedirmos de forma grandiosa está o sucesso garantido. Mas isto é só a base, as variações no interior da base são múltiplas, é só preciso criatividade e sensibilidade.

Grandes histórias são as que nos deixam impacientes por saber o final e isso só pode acontecer enquanto ainda esperamos que no final pode acontecer qualquer coisa e só há uma coisa que nós queremos. E essa coisa é sempre ganhar. No futebol isso é mais óbvio, mas mesmo nos filmes não deixa de ser verdade, ainda que às vezes para ganhar mais seja preciso perder. O Romeu e a Julieta ganham muito mais morrendo do que ganhariam ficando juntos e vivos. Por isso é que os grandes jogos de futebol não são aqueles em que a nossa equipa é esmagadoramente vitoriosa do princípio ao fim do jogo, mas antes aqueles em que temos que lutar sempre até ao fim. Esses vale sempre a pena ver, de olhos colados no ecran.

As pessoas não vêm tanto futebol quanto vêm filmes? Quando vêem filmes, as pessoas já sabem que “aquilo é tudo mentira”. Mas no futebol, que não é menos mentiroso que o cinema, ainda há muito quem acredite. E isso é tão poético, que me comove. Gostava muito que se vissem filme com tanta emoção com que se vê o futebol. Eu vejo filmes com muito mais emoção que jogos de futebol, mas nunca saltei a gritar dentro de um cinema. Porque apesar de tudo, há sempre coisas mais fortes que nós, na vida. J Ganhar-lhes seria um jogo, um filme.

Esperemos que este filme em episódios do mundial acabe bem.

1ª imagem: Esmeralda e a bola da Esperança
2ª imagem: Deco e Javad Nekounam (Irão) e a bola TeamgeistTM.

A Esmeralda e o Carlos







Não sei como se publicitam coisas. Por isso é que não vêm muitas pessoas a este blog. Mas para quem vem ficam aqui as primeiras imagens "públicas" do filme que quase de certeza se vai chamar "Carlos Alberto", mas pode muito bem vir a chamar-se qualquer outra coisa.




Como é que se escolhem as imagens para serem as primeiras aparições públicas de em filme que só tem 19.500 imagens no total? (13min. vezes 25 img/seg). As longas metragens costumam
ter cerca de 180.000 imagens no total.

As imagens mais bonitas devem ser guardadas para quem vê o filme? Mas tinha que escolher umas suficientemente boas para vos fazer querer ver o filme.

Não quero dar uma ideia errada do filme, por isso tenho que escolher "stills" que mostrem de que se trata, mas que também não sejam demasiadamente reveladores!

Há planos gerais que podiam servir, mas estes stills que aqui vos trago são de tão má qualidade que não aguentem mais que o tamanho mínimo e então tudo o que havia nos planos gerais iria ficar mesmo assim minúsculo e não se via nada.

Por isso são estas as imagens escolhidas. Por agora.

I'm softly walking on air

Tenho a capacidade de conseguir perceber tudo ao contrário.
Especialmente as letras das músicas, e se forem em estrangeiro, então!

A Björk canta assim:

"I'm softly walking on earth
Half way to heaven from here
uuuuuuuuuuh uh"

eu sempre ouvi, até vir ver à net a letra da música:

"I'm softly walking on air
Half way to have not frontiers
uuuuuuuuuuh uh"

e gosto muito das duas "versões"
mas sinto-me mais vezes como na "minha versão", mesmo que em inglês as coisas não se digam assim.


I'm feeling like that right now, baby!

Evite o contacto

No Saldanha, vi uma senhora com uma menina a mexer nas vacas. A MEXER. Fiquei curiosa, porque as vacas dizem para a gente evitar o contacto e aquela senhora e menina tinham todo o ar menos o de quem quer desrespeitar autoridades. E não é que as vacas fossem daquele tipo em que é especialmente bom mexer. Mas quando me aproximei vi que a menina era cega.

A senhora estava a guiar a menina pelas vacas, a menina mexia, a senhora explicava-lhe as cores, o nome, quem tinha feito e etc. E acabava sempre a dizer: "muito gira".

Gostava muito de ver as vacas que a menina estava a ver. Aquela frase final: "muito gira", devia ajudar imenso. Ela devia desenhar umas vacas mesmo giras lá na cabeça dela.

Aos cegos, deve-se dizer quando uma coisa é feia? Ou devia-se tirar partido da capacidade que têm (não ver coisas feias)? Mas ganha-se alguma coisa em se imaginar tudo bonito? Aliás, será isso possível?

Fazia as mesmas perguntas em relação à arte, se eu quisesse, se nunca ninguém o tivesse feito. Se não tivesse que ir fazer um trabalho sobre o Bergman. Bom-Dia!!




Evitar o contacto com a obra é melhor do que não mexer.