Mostrar mensagens com a etiqueta expressão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta expressão. Mostrar todas as mensagens

Snailstag

'Hours of Joanna the Mad', Bruges 1486-1506 (BL, Add 18852, fol. 305v)

Santa Cecília


A imagem que vemos acima é de uma estátua de mármore esculpida por volta de 1600 por Stefano Maderno, reproduzindo a posição em que o corpo de Santa Cecília teria sido encontrado no século XVI, ao se abrir o seu túmulo. Santa Cecília terá vivido em Roma no século II e a igreja que guarda esta estátua, construída no século V no local onde se pensa ter sido a casa dela e do seu marido Valeriano, em Trastevere. É a santa da música (sobretudo a sacra), por alegadamente ter cantado a Deus enquanto morria.

A etapa de hoje da Tour de France tinha a sua meta em Albi, onde existe uma imponente catedral em honra de Santa Cecília.




No seu interior encontra-se uma estátua policromática inspirada na de Maderno:



Infanta Maria Teresa

Vélasquez

Minha passagem para o breve breve instante da loucura

Como pode haver tanta emoção no primor rígido e intacto desta figura?
Como se os sentimentos dele só existissem na voz e no punho fechado?
E tudo o que daí sobra fizesse mover uma orquestra inteira?
Acho que ainda gosto mais desta do que da "Estrela da Tarde".



Somos o que fazemos?


Somos o que fazemos? Hoje em dia os psicólogos gostam muito de uma coisa que é terapia comportamental. Deve ser porque somos o que fazemos. Porque sentimos o que somos quando fazemos. Já nem somos o que temos, porque todos temos de tudo, mais ou menos. Nem somos aquilo em que acreditamos, porque já não acreditamos em nada. Tal como também não somos o que sabemos, porque isso não traz felicidade a ninguém. E sejamos o que sejamos, temos é que ser felizes.

É resumir a vida ao ao presente. O que fazemos em cada momento e o que sentimos quando o fazemos. Somos o que fazemos. A memória deixa de ter importância. A experiência acumulada, as frustrações, também. Sonhos?
Mas talvez seja porque nos queremos equilibrados no dia-a-dia e porque para isso temos que esquecer tudo e concentrar-nos no caminho. "Keep calm and carry on" frase que ressuscitou dos tempos da 2ª Guerra e voltou a estar na moda.

Somos o que fazemos e temos que fazer coisas com nomes. Passear, dormir, comer, conversar. Trabalhar. Que nome darei ao que estou a fazer? Escrever, pensar, reflectir, criticar, exprimir-me, acalmar-me, conhecer-me. Que vou fazer a seguir? Alguma coisa, algo com nome, algo que exista. Nem que seja "pensar". Mas haja nome, faça-se alguma coisa. "Nada" é que não.




Recolhas


"Olhei para o sol e vi que não tinha cara, olhei para a lua e vi que tinha olhos e boca." 

Julião Agostinho, dia 11 de Fevereiro de 2012, Biblioteca de São Roque do Pico

recolha de Fernando Nunes, poeta aqui 

http://atenasgavetascresceanis.blogspot.pt/

O Experimentar


ouvir e comprar o disco aqui

Θυρεοειδής?


De há uns tempos para cá tenho sentido estranheza em estar viva. 
Assim o tipo de estranheza que dá quando dizemos muitas vezes uma palavra e ela nos soa ridícula e vazia de sentido. A vida tem-me parecido assim, embora não seja bem vazia de sentido. Não sei se é a isto que se chama "crise existencial". Não procurei este sentimento, não o provoco em mim, aliás, às vezes prefiro evitá-lo. Não é triste. Não é glorioso. Já foi mais assustador. Agora é só impressionante. Ou para usar uma palavra melhor: incrível. A vida tem sido incrível, não pelo bem ou pelo mal que faz acontecer, mas por si própria. E não entendo como alguém, incluindo eu, pode ter certezas...e tantas.


O amor nunca acabará.

multi culti

uma pessoa percebe que o mundo tá mesmo misturado (e desde há muito tempo) quando pensa que no hemisfério sul há "latinos" e "índios"...

Folhas, flores, frutas de ouro

E eu, açorianinha emprestada,
dizia "em tipo de gozar"
que desde que aqui vivia
na limpidez/bruma (é à vez)
o continente me parecia todo bege.

Aqui o mar e céu azuis
a pedra preta
as plantas verdes.

azuuul
preeto
veeerde

e chegava lá,
era logo do avião que se via
que aquilo era tudo bege.

Até o alcatrão e o branco das casas amarelecia de pó.

Mas foi com a canção de há 2 posts atrás que se me fez luz.

Não é bege, é de ouro.
O pó não é poeira
é feldspato. É mica.

Pó de fada.

"Meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de ouro"

Saudade

Aqui está tão bem expressa
aquela saudade que tenho sempre de uma terra que em pormenor é o Redondo,  a média escala o Alentejo, e em maior, o continente. Até Espanha está incluída. Enfim, o que me falta é o sequeiro...
O sequêro....!

Amália a cantar José Régio:

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro.
Vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.


A "cataplasma"

Novembro, 17 (1838)
A maneira de comer a bordo de um navio fruteiro de S. Miguel em dias de mau tempo, desconserta tristemente quem estiver habituado ao uso de talheres de prata.

A expressão habitual designativa do almoço, do jantar, do chá e e da ceia é "ir buscar a comida", perífrase que à maravilha define o cerimonial em uso.

O compartimento em que tal obrigação se desempenha é suficientemente amplo para quatro pessoas, e tem, à guisa de mesa, uma cómoda quadrada, provida de asas. Devido ao tempo borrascoso que tem feito, torna-se necessário, antes de pôr a mesa, pregar-lhe a "cataplasma" (como diz o capitão), isto é, torcer em longo rolo qualquer peça de vestuário desgarrada que por ali se encontre à mão, um casaco impermeável, ou capote de lã, p. exemplo; depois, dispô-lo em ziguezague sobre a mesa, cobrindo o rolo com um pedaço de vela, a modo de toalha, e formando a sotavento uma grande protuberância para proteger a loiça no caso de balanço forte. Finalmente, a fim de manter a "cataplasma" no devido lugar, é esta fixa por um pedaço de fio de corda enlaçado por sobre a mesa, e atado aos puxadores das gavetas.

O despenseiro, designação pomposa dada a um rapaz sebento, enfarruscado e jovial, prepara o almoço, apertando entre as anfractuosidades da "cataplasma" as chávenas, os pires e as tijelas, para evitar que caiam e se depedacem; enche de biscoito o cabaz do pão e coloca-o firme no meio da mesa, escorando-o com um bule e com pão duro; em seguida, entala nos sítios convenientes o manteigueiro de manteiga de Cork, um bocado de carne salgada, um açucareiro de açúcar mascavado, enfeitado com torrões da mesma substância branca; arremessa para a mesa um molho de colheres de estanho e outro de garfos e facas novos e embotados e depois retira-se para preparar o chá.

Suponhamos que o chá está pronto e que o bule ficou estivado com o bico para barlavento; tanto que o encarvoado moço de novo aparece com uma caçarola de ovos, enorme vaga invade o navio; este entra em balanço forte para sotavento e com o balanço tentamos segurar as xícaras aos pires, segundo-se porém indescritível caos entre todos os utensílios indispensáveis ao almoço: o bule extravasa o chá por sobre o manteigueiro; entorna-se o leite; o pão fica ensopado; e porque deixaram a escotilha aberta, desabam sobre as nossas cabeças vários baldes de água dos grossos mares entrados a bordo. O capitão pragueja, o criado põe de lado os ovos, em busca do balde e da rodilha; os passageiros levantam os pés para se livrarem da água salgada que já encharcou os mochos, as botas e as extremidades dos capotes e continua a enlamear e a gorgolhar no sobrado do camarote; o homem do leme resmunga, rabujento, - "Sim, senhor" - à ordem ainda mais azeda do capitão - "Aguenta-o firme".

Ao jantar os preparativos são mais ou menos os mesmos do almoço.

O capitão não era nenhum gastrónomo.

A carne salgada é trazida numa celha de madeira até à porta da sala de jantar, onde a cortam em duas partes iguais.

Metade volta para cima pela escotilha na mesma celha para consumo da tripulação; a outra metade punha-se em fundo tacho para a mesa da câmara. Vinha então o infalível prato de bordo, de couves com gordura, cenouras esbranquiçadas e batatas com casca. Postas todas as iguarias na mesa, seguia-se a tarefa de averiguar o paradeiro do capitão. Chegado este, quando a comida começava já a arrefecer, verificava-se que não estavam na mesa nem os garfos, nem as facas e que também faltava a mostarda. E porque o saca-rolhas ficara esquecido na gaveta, tornava-se necessário desmanchar a "cataplasma", levantar a mesa e voltar a pô-la.

Arrancada a rolha, tiravam-se os copos do armário, ainda com os restos do vinho da véspera, a secar. "Cozinheiro, cozinheiro!" e os copos eram entregues pela escotilha com a recomendação: "não se lavam agora com água doce", aviso este que o forte gosto a água salgada na borda do vidro logo indicava haver sido fielmente cumprido. A ceia era como o almoço repetido à luz das velas.

................

Joseph e Henry Bullar em "Um inverno nos Açores e um verão no vale das furnas" traduzido do inglês por João Hickling Anglin - Edição do Instituto Cultural de Ponta Delgada - Ilha de S. Miguel - Açores, 1986

Tudo bem gravado dentro do meu sentido


Adeus Rua Sá Carneiro
Adeus Rua de Mourão
Adeus Largo adeus Igreja
Do Sagrado Coração

I
Adeus Rua do Rossio
Adeus Sociedade
Adeus Museu de Antiguidades
Tudo feito com muito brio
Adeus Fonte do Rossio
Adeus Travessa do Carneiro
Ainda digo adeus primeiro
Ao antigo lavadouro
Despeço-me com muito amor
Adeus Rua Sá Carneiro

II
Digo adeus à taberna
Do Francisco Carrilho
Seguindo o mesmo trilho
Adeus Café Lanterna
Falando de coisas modernas
Tal como elas são
Tenho a preocupação
Não me esqueça alguma coisa
Adeus café da Lousa
Adeus Rua de Mourão

III
Adeus padaria
Adeus Rua da Calçadinha
Esta ideia é minha
Adeus lojas e mercearias
Quando chegar esse dia
Que por certo ninguém deseja
Aqui estar para que se veja
Eu lanço este retrato
Adeus café Regato
Adeus Largo adeus Igreja

IV
Adeus Rua das Palhotas
A da Estrela fica defronte
Adeus Rua da Fonte
Ao largo tem uma horta
Para nós pouco importa
Nesta mesma ocasião
Aceitamos esta lição
Tal como se diz
Adeus Igreja Matriz
E a do Sagrado Coração

V
O que aqui não foi citado
Por certo não está esquecido
Tenho tudo bem gravado
Dentro do meu sentido

João Chilrito Farias (poeta popular), Luz, 1997
em "Breviário Alentejano" de Francisco Martins Ramos
Editora Caleidoscópio

Innocence Song

Piping down the valleys wild,
Piping songs of pleasant glee,
On a cloud I saw a child,
And he laughing said to me:

"Pipe a song about a Lamb!"
So I piped with merry cheer.
"Piper, pipe that song again;"
So I piped: he wept to hear.

"Drop thy pipe, thy happy pipe;
Sing thy songs of happy cheer!"
So I sung the same again,
While he wept with joy to hear.

"Piper, sit thee down and write
In a book, that all may read."
So he vanished from my sight,
And I plucked a hollow reed,

And I made a rural pen,
And I stained the water clear,
And I wrote my happy songs
Every child may joy to hear.

(introduction to Songs of Innocence)
William Blake

(8)

as ilhas são lagos de terra num continente oceânico

Redemption Song

"Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
cause none of them can stop the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look? ooh!
Some say its just a part of it:
We've got to fulfil de book."
Bob Marley