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poesia


a poesia não é uma arte.
a literatura é uma arte.
a poesia e a arte são uma e a mesma coisa.

adulto só fala merda



gosto desta expressão brasileira. "x só fala merda"
dá-me vontade de rir
expressões é, aliás, com os brasileiros.
talvez o brasileiro adulto não fale só merda.
mas os adultos falam de
o que fizeram
como fizeram
o que disseram quando fizeram
o que os outros responderam
o que compraram
o que querem comprar
o que os outros compraram
futebol
política
economia
doenças
moda
saldos
promoções
enfim: só merda.
as crianças falam do que calha. pode ser de coisas
descobertas
inventadas
esquisitas
confusas
divertidas
de meter medo
ou até de merda.
agora merda é que não, aliás, nunca falam de nada.
eu já falo de muita merda. já tenho 23 anos. mas ainda falo de outras coisas. e tu?
a arte não é merda. mas os financiamentos são. tudo o que meta gente de gravata é merda.

ensinamento animal


não te coles a nenhuma aparência
mas sê sensível ao que te rodeia.
Chamaeleo Calyptratus

li este ensinamento nos olhos deste animal mas gostava ainda de acrescentar algumas palavras minhas: a paisagem é tudo. A paisagem nunca é o resto. E então quando dizem "e o resto é paisagem" é que não faz mesmo sentido nenhum.

Título do Post: A VIDA

Descobri que ninguém é melhor do que ninguém por aquilo que consegue fazer. Para muitos isto não é novidade, mas para mim, embora já tivesse formulado este pensamento, só há alguns meses é que eu senti que isso é mesmo verdade. Nem o Mozart é melhor do que o Toy.

Sentença esquisita, esta última. Obrigo-me a explicá-la:

Não há tempo para tudo. Não há tempo para sermos pais e trabalhadores e donos de casa e estudar e ainda por cima fazer isso tudo bem feito. E se por acaso houver tempo para isso não haverá tempo para mais nada. E ser melhor não é deixar de relaxar, de descansar, de ter momentos de lazer.

Na vida de adultos o que faz de nós o que somos é aquilo em que gastamos o nosso tempo. Já que em crianças gastávamos o tempo todo a viver (fazer coisas sem nome, acções sem verbo: era tudo brincar e brincar é viver). Em adultos, tudo o que fazemos tem nome: trabalhamos, estudamos, passeamos, limpamos, descansamos, divertimo-nos, lemos... etc). O que faz de nós o que somos são estes verbozinhos. Se não fazemos muitos verbozinhos somos preguiçosos, se fizermos muitos, somos activos, se só trabalharmos e lermos jornais, somos sérios, se só nos divertimos e passeamos somos vadios, etc.

Há duas coisas que nos impelem para estes verbozinhos: o gosto e a obrigação. O gosto não preciso de explicá-lo e a obrigação pode ter várias origens, mas normalmente são de sobrevivência: pão, saúde/higiene e aceitação social. Julgo que os que podem gastar mais tempo naquilo que gostam são mais talentosos nisso do que os outros. E á tão válido ser talentoso na música como noutra coisa qualquer*. Mas como é que se pode achar que alguém é mais talentoso do que outro alguém se por acaso este segundo não tem hipóteses de ter tempo para aquilo de que gosta e o primeiro tem dinheiro para pagar a alguém que faça por si aquilo que ele não gosta, e assim ter tempo para fazer o que gosta? Não é o tempo que é dinheiro, é o dinheiro que é tempo.

* Vamos agora ao asterisco, porque eu ostensivamente ignorei aqui todas as pessoas que gostam de gastar o tempo em prejudicar outras pessoas. Também ignorei que há pessoas que fazem coisas para os outros, e por isso são mais amadas, claro. Só que serem mais amadas não quer dizer que tenham mais valor.

O Mozart gostava de música. Ele brincava na música, a música era tudo para ele - vivia e sobrevivia dela. O Toy também gosta de música, não duvido, mas gosta mais de outras coisas, e isso vê-se logo. É claro que eu prefiro a música do Mozart, que é uma música que foi feita com toda a alma. O talento é a entrega e cada ser humano se entrega àquilo que escolhe.

Para fazer bem as suas escolhas é preciso, acima de tudo, estar atento a si próprio. E ao lugar que os outros têm dentro de si próprio.

sobre fazer cinema


Não quero para aqui dar lições sobre fazer cinema, porque em primeiro lugar não o sei e em segundo lugar se o soubesse não sabia como o ensinar e em terceiro lugar mesmo que até isso conseguisse o mais provável é que ninguém aprendesse. Não por algum de nós ser burro, mas porque as coisas boas raramente são passíveis de ser ensinadas. Por isso queria só lembrar uma coisa, pois estou certa quem quem se lembrar sempre daquilo que eu vou aqui dizer já se sentirá mais amparado nas suas escolhas...

O cinema é ter numa sala um grupo de pessoas - e ainda que seja só uma - sentadas em cadeiras, na escuridão, com todos os seus sentidos postos no filme. Não, o cinema não é design, que encaminha as atenções das pessoas para coisas mais ou menos úteis, nem fotografia impressa numa revista, nem quadro que se veja em pé numa exposição mal iluminada, nem livro que se leia na diagonal, ou desfolhando rapidamente as páginas entre os dedos. O cinema também não é filme que se veja na televisão, entre uma lata de coca-cola, um xixi e um telefonema. O cinema também não é um DVD que se compre ou se alugue e se tenha problemas com o menu, ou com as colunas, ou com a TV ou com o formato...

O cinema é ter a gente por algum tempo, totalmente entregue ao teu filme.

little life in colors


são girinhas não são? e podem ver todas em grande aqui neste álbum do flickr.

fresquinhas do mercado!

duas senhoras encontraram-se há 15 minutos à minha frente no mercado da horta
tinham os seus setenta anos...

uma delas, cabelos brancos bem penteados e baton vermelho diz à outra, mal a vê (mais gordinha, de óculos e caracóis cinzentos):
-esta noite sonhei que estava mais umas do nosso tempo numa festa num género de teatro fayalense. e também estavas lá tu!
-ai sim? todas nos teatros?
-não, tu estavas muito zangada por causa de não sei quê...

não pude ouvir mais...

as velhinhas - vi mais para além destas, por isso sei do que estou a falar - nesta manhã cinzenta estavam todas muito bonitas. as roupas delas têm texturas e padrões que ficam lindamente com estes dias.

coisas que se dizem

cada povo tem as suas expressões, que são influenciadas pelo modo de vida desse povo e que por meu lado também acredito que influenciem o modo de vida das pessoas

aqui na ilha do faial
as pessoas tratam-te por tu
naturalmente sem problemas
adoro isso
quem me dera fazê-lo sem um nozinho na garganta
hei-de conseguir

no continente diz-se "estou um bocadinho cansada"
aqui não
aqui diz-se "estou uma coisinha cansada"
"estou uma coisinha maldisposta", "esse tomate ainda está uma coisinha verde"
não é giro? gosto tanto...

"é forte maluco" - é muito maluco
"ela tem forte vontade" - ela tem muita vontade
"dei forte pancada com este braço" - dei uma grande pancada com este braço

e esta é muito engraçada: quando passeio com o Julião nas ruas da cidade e ele está a dormir algumas pessoas comentam: "tadinho, tá-se consolando!" :) acho que está é uma verdadeira expressão idiomática porque não há propriamente "tradução" é assim: está-se consolando. e está!


Quando se anda sozinho na praia pensa-se

porque é que será que muitas vezes, quando estamos sozinhos, nos sentimos e nos comportamos como se estivéssemos a ser observados por um número considerável -mas apesar de tudo impossível de precisar- de olhos?

Quando se anda de bicicleta pensa-se

que muitos problemas políticos e não só
são consequência da ignorância, ou pelo menos da indiferença pelos seguintes factos

que as massas são o resultado da soma das individualidades
e que em toda a individualidade pesa a força das massas

extravasar

Há aqui na Horta, perto de nossa casa, uma casinha de um senhor. Sempre que por lá se passa podemos ouvir a missa em altos gritos, ou o Quim Barreiros, ou a Júlia Pinheiro ou qualquer outra coisa que nem sempre é bom ouvir em altos gritos. O volume do som contrasta com as dimensões da casa. Mínima, e com a porta aberta numa óbvia tentativa de respirar. Acredito que a gritaria não seja por o senhor ser surdo mas sim por essa necessidade de extravasar as paredes da sua casinha. Que importa se as pessoas da rua estão interessadas em ouvir... o que importa é sair, sair projectado daqui, entornar-mo-nos daqui para fora. Não é um senhor jovem que possa sair correndo até à praia e mergulhar. É uma forma diferente de o fazer, esta.

Assim os carrinhos que no continente se chamam mata-velhos ou papa-reformas abundam aqui, assapam pela marginal, muito quitados e com o tum-ts-tum a bater tão rápido quanto o seu coraçãozinho de carrinho pequenininho.

Engraçado não é? Acho que deve ser por a ilha ser pequenina e por não conseguirem pôr a caldeira a cantar o Hino dos Açores ao atlântico inteiro... cada um à sua escala!!

reconheço logo existe














Sei quando as pessoas querem alguma coisa

É quando vejo na sua expressão aquilo que sinto quando quero alguma coisa
Sei quando os animais querem alguma coisa
É quando vejo nas suas expressões aquilo que vejo nas pessoas quando querem alguma coisa
Sei quando as plantas querem alguma coisa
É quando vejo nas suas expressões o mesmo vigor que vejo nos outros seres com vontade

Mas muitas vezes não consigo perceber a vontade dos minerais
ou o que sentem eles
Porque não reconheço neles aquilo que reconheço nos outros
Não há dúvida de que são diferentes
Ainda assim há aquelas vezes em que os percebo tão bem
que reconheço que eles sentem muito mais do que aquilo que eu posso perceber

Hei-de estar mais atenta
É que o que eu mais gosto mesmo neste mundo é de expressões.

estar atento



uma pessoa nunca se compreende totalmente a si própria
uma pessoa nunca compreende nada totalmente
por isso é confortante quando há coisas sobre nós que temos a certeza

eis as minhas:
-sono e período fazem de mim a pessoa mais miserável do mundo
-atinjo a plenitude e a alegria completa quando há calma e conforto
-se estou a ter uns pensamentos e no meu campo de visão aparece um pássaro a voar, sinto formigas, uma violenta emoção no estômago
pensava que tinha mais mas agora pensando bem não são coisas assim tão certas com tanta certeza.

Mas estas que aqui ficam são verdades, puras e cristalinas verdades.

ter um filho










deixamos de ser adultos outra vez
embora em muita coisa o fiquemos mais

Comunicado ao mundo


As pessoas de agora
que dizem que o antes é que era bom
não sabem concerteza que
aquilo que somos hoje
é resultado do que fomos ontem.

Publique-se.

ser "verde"

agora querem alcatifar o mundo de verde?


os ecossistemas
estão em harmonia
porque se adaptam e readaptam
não são esquemas fixos
nem instaurados
*
a uma escala maior
no planeta terra
a harmonia também assenta na eterna mudança
*
os gelos gelam e degelam
mar e a terra avançam um para o outro
as ervas, as rocha, os animais
destróem-se, ajudam-se ou ignoram-se
*
entre eles estamos nós
com as nossas preocupações.
*
a moderna e politicamente correcta preocupação com o planeta
não é mais do que uma egoísta preocupação com a espécie
a espécie humana
*
tão egoísta quanta a necessidade de andar de carro
apesar de saber que polui
tão egoísta quanta a vontade de comer bacalhau
apesar de saber que são poucos
tão egoísta quanto todas as outras vontades
*
e
ao salvar tubarões
matamos salmões
ao salvar salmões
matamos camarões
*
uns valem mais porque são poucos?
outros valem menos porque são mais?
o que é ser ambientalista?

Flores e Laranjas

uma vez
há muito tempo
quiseram-me vestir assim
como a menina lá de trás
posso dizer que é horrível
ter de ter uma coisa daquelas
sem a deixar cair
a dar-nos cabo do pescoço
:
é naquela idade que nos fazem dessas
antes não conseguimos
e depois já não deixamos
:
quanto ao leão aqui da frente
é feito de laranjas
e em relação a laranjas
tenho a dizer
que
hoje em dia as laranjas
têm vitamina C
mas não têm Caroço
:
fico à espera de azeitonas
cada vez maiores
mais doces
e sem caroço
nem espaço de caroço
tudo azeitona
assim como tudo é laranja
nas laranjas
sem caroço
!

a espera


este tema vem a propósito de várias coisas, umas mais importantes e outras mais irrelevantes.
como de qualquer forma a única coisa constante é o presente
penso que isso de alguma forma faz dele uma coisa relevante e importante, sempre.
desde as maiores esperas, as que duram dias e talvez meses
às mais pequeninas, que um pão fique torrado
a espera é uma coisa sólida e palpável
porque irremovível
quando estamos nela
porque é apenas ultrapassável esperando tudo o que há a esperar
e só piora se desesperarmos.

enganar a espera fazendo outras coisas
às vezes é bom
mas a espera em si pode ter um bom sabor
esperar é ter esperança

ter esperança é estar de esperanças
e se esperas, sempre alcanças.

Passeio da Fama

Ah, Lisboa sempre é Lisboa!


O sítio onde estou a estagiar permite-me encontrar
O Eça, o Camões e o Pessoa todos os dias antes e depois do almoço (que é nas Belas Artes).
por isso eu sou o que se chama "uma tipa com sorte".
.
e
estou a estagiar numa produtora cujo nome
é uma síntese de
Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia.
.
também encontro sempre o Chiado, mas desse só conheço a estátua e o sítio onde nasceu

Redondo Escandinavo?


Procurei no google imagens a palavra Redondo.
















(e estas não são as únicas!!!)




Convido à contagem do número de fotos de neve que encontram na primeira página de resultados se procurarem por