bilhetes de avião
talvez a partir de agora as pessoas procurem fazer o que gostam, em vez do que o dinheiro que tinham lhes mandava fazer
o Julião ainda não diz nenhuma palavra reconhecível
nem deu mais do que um ou dois passos sem ajuda
e vai fazer um ano no dia 26 de Fevereiro.
Mas não tem estado a desperdiçar o seu tempo.
ele já sabe
carregar no comando, enquanto olha para a tv
acender e apagar a luz dos candeeiros da sala
e... desenhar!
(foi a primeira composição que ocupou o quadro todo)
é um rapaz que gosta de manipular objectos...
aos mais ansiosos:
não estamos a descurar os deveres principais do Julião,
falamos muito e andamos muito com ele.
mas ele é que escolhe o que lhe interessa mais e quando.
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Fui ver ao cinema um filme que se chama "O primeiro choro". Uma viagem à volta do mundo num dia de eclipse, a ver como as mulheres dão à luz. Apesar de algum gosto duvidoso presente no filme, até era um filme interessante. Mais pelo que dava a conhecer do que pela forma como estava feito.
Uma das conversas recorrentes entre as mães civilizadas do filme era que era necessário parir de forma tradicional. Que desde sempre as mulheres tiveram filhos, que elas foram feitas para isso, que os hospitais são sítios horríveis e frios para se vir ao mundo neles et tout ça.
hmm mmm... ok. Quando as mulheres tinham os filhos da forma "tradicional" e morriam às dezenas e perdiam filhos e etc, descobriram uma forma de fazer nascer pessoas em que se diminuia imenso o risco de alguém morrer e andaram a fazer campanha a todas as mulheres para irem ter os filhos ao hospital.
É a história da esterilização. Quando a humanidade era muito porquinha e morriam milhares de pessoas devido à falta de higiene, inventou-se a estirilização. E hoje em dia advertem-se as pessoas que demasiada estirilização pode dar origem a alergias, entre outros males lixados.
Pffu... a humanidade porta-se sempre mal, é o que é. Ora não se lava ora desperdiça água...
E pronto, grávidas, vamos lá voltar à tradição tradicional ancestral das nossas antepassadas mulheres parideiras! Mas a qual tradição, pergunto eu!!?? À da minha avó? À da minha bisavó? À da minha minha tetravó? À da minha tataritotelavó? À da macaca primordial? À da Eva?? Se julgam que a tradição é uma coisa estanque e acabada que resolve tudo em si, não julguem. Tudo se altera, tudo se alterou ao longos dos tempos e dos lugares.
Entre nós, a tradição resultou nas maternidades (o tempo de hoje é sempre resultado do tempo de ontem), e pelos vistos agora está a mudar para uma coisa mais caseira e íntima, menos rígida e mais ao gosto da mulher actual. É UMA COISA ACTUAL e não tradicional. Até porque tradicional não quer dizer nada... é como as danças dos ranchos folclóricos. São tradicionais? Não. São inspiradas numas coisas que houve durante uns tempos lá nuns sítios. Com umas roupas lavadinhas e engomadinhas e de lindas cores artificiais que nunca houve umas assim antes de hoje! No fundo são coisas de agora e pronto.

Ontem, estava a pensar enquanto lavava a loiça.
(Sabem quais são as mulheres que pensam mais? - Pois é, embora não pareça)
E enquanto pensava percebi que há uma coisa que não gosto nada e acho mesmo que é um desperdício de energia. Essa coisa são as
ADAPTAÇÕES
prefiro bem mais as
INVENÇÕES.
Ainda ponderei sobre as adaptações às circunstâncias, mas é evidente que também prefiro as invenções às circunstâncias.
Mas as adaptações que odeio mesmo mais são as adaptações literárias e as adaptações cinematográficas. Blergh...
o estado enervado de uma pessoa aumenta a um ponto que quase parece sem retorno
outras vezes a preguiça deixa cada músculo do corpo e da mente num estado que parece eternamente vegetativo
mas na maior parte do tempo estamos semi-rígidos, semi-activos, parcialmente atentos, moderadamente confusos, um pouco cansados mas com forças para continuar; capazes de sorrir e de censurar, de esquecer e de lembrar, sem ressentimentos à flor da pele e sem gratidões especialmente sentidas.
essa maior parte do tempo esvai-se sem que nos recorra em lembranças mais tarde.
essa maior parte do tempo é a vida.
e ela é a resposta para estas perguntas da Björk:
"His embrace, a fortress
It fuels me
And places
A skeleton of trust
Right beneath us
Bone by bone
Stone by stone
If you ask yourself patiently and carefully:
Who is it ?
Who is it that never lets you down ?
Who is it that gave you back your crown ?
And the ornaments are going around
Now they're handing it over
Handing it over
He demands a closeness
We all have earned a lightness
Carry my joy on the left
Carry my pain on the right
If you ask yourself patiently and carefully:
Who is it ?
Who is it that never lets you down ?
Who is it that gave you back your crown ?
And the ornaments are going around
Now they're handing it over
Handing it over"