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Snailstag

'Hours of Joanna the Mad', Bruges 1486-1506 (BL, Add 18852, fol. 305v)

Minha passagem para o breve breve instante da loucura

Como pode haver tanta emoção no primor rígido e intacto desta figura?
Como se os sentimentos dele só existissem na voz e no punho fechado?
E tudo o que daí sobra fizesse mover uma orquestra inteira?
Acho que ainda gosto mais desta do que da "Estrela da Tarde".



Mas alguém foi?


This boy and this girl were never properly introduced to the world we live in...
They live by night  - Nicholas Ray - 1948

Redondo



Voltar à terra onde se cresceu, mesmo no meio da chuva.

Tudo parece diferente, sempre tão diferente.
Mas pouco mudou desde que lá estive a última vez.
Parece diferente do que me lembro. E será cada vez mais diferente disso. 
Mas do que é que eu me lembro?
De outra escala, de outras cores e acima de tudo, outros sentimentos.
Emoções! 
Lembro-me deste quadro: uma reprodução na sala de dentro de um café que ainda é igual ao que sempre foi (mais ou menos). Até o cheiro do espaço ainda é igual (esse sim). E o sabor dos pastéis de amêndoa (mas desta vez comi uma empada).
Entrar ali é como entrar numa igreja. Numa ermida.
E esta pastorinha é uma santa numa capelinha refundida.
Ela está igual, sempre igual, ao que me lembro dela.
Tão linda...
Desta vez tirei-lhe uma fotografia, com o telemóvel....

O contexto


Se calhar, recordarmos o passado com amor (tenha sido bom ou mau)
é uma estratégia da VIDA
para nos fazer contar histórias aos nossos descendentes
e eles ficarem mais contextualizados. 
É que o contexto é muito útil à sobrevivência.

Cor e luz

Chagall

On the raft


It's lovely to live on a raft. We had the sky up there, all speckled with stars, and we used to lay on our backs and look up at them, and discuss about whether they was made or only just happened. Jim he allowed they was made, but I allowed they happened; I judged it would have took too long to make so many. Jim said the moon could a laid them; well, that looked kind of reasonable, so I didn't say nothing against it, because I've seen a frog lay most as many, so of course it could be done. We used to watch the stars that fell, too, and see them streak down. Jim allowed they'd got spoiled and was hove out of the nest.

É maravilhoso viver numa jangada. Tínhamos todo o céu ali em cima, tudo cheio de estrelas, e costumavamo-nos deitar de costas e olhar para elas, e questionarmo-nos se tinham sido feitas ou se tinham apenas aparecido. Jim dizia que achava que tinham sido feitas, mas eu achava que tinham aparecido. Achava que teria demorado demasiado tempo a fazer tantas. Jim dizia que podia ter sido a lua a pô-las; bem, aquilo parecia razoável e não o contrariei porque já vi um sapo a pôr muitos outros, por isso é claro que podia ser feito. Também costumávamos ver as estrelas que caíam e víamo-las riscar o céu. Jim dizia qe deviam estar estragadas e tinham caído do ninho.

Huckleberry Finn - Mark Twain

Recolhas


"Olhei para o sol e vi que não tinha cara, olhei para a lua e vi que tinha olhos e boca." 

Julião Agostinho, dia 11 de Fevereiro de 2012, Biblioteca de São Roque do Pico

recolha de Fernando Nunes, poeta aqui 

http://atenasgavetascresceanis.blogspot.pt/

O Experimentar


ouvir e comprar o disco aqui

Θυρεοειδής?


De há uns tempos para cá tenho sentido estranheza em estar viva. 
Assim o tipo de estranheza que dá quando dizemos muitas vezes uma palavra e ela nos soa ridícula e vazia de sentido. A vida tem-me parecido assim, embora não seja bem vazia de sentido. Não sei se é a isto que se chama "crise existencial". Não procurei este sentimento, não o provoco em mim, aliás, às vezes prefiro evitá-lo. Não é triste. Não é glorioso. Já foi mais assustador. Agora é só impressionante. Ou para usar uma palavra melhor: incrível. A vida tem sido incrível, não pelo bem ou pelo mal que faz acontecer, mas por si própria. E não entendo como alguém, incluindo eu, pode ter certezas...e tantas.


O amor nunca acabará.

Folhas, flores, frutas de ouro

E eu, açorianinha emprestada,
dizia "em tipo de gozar"
que desde que aqui vivia
na limpidez/bruma (é à vez)
o continente me parecia todo bege.

Aqui o mar e céu azuis
a pedra preta
as plantas verdes.

azuuul
preeto
veeerde

e chegava lá,
era logo do avião que se via
que aquilo era tudo bege.

Até o alcatrão e o branco das casas amarelecia de pó.

Mas foi com a canção de há 2 posts atrás que se me fez luz.

Não é bege, é de ouro.
O pó não é poeira
é feldspato. É mica.

Pó de fada.

"Meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de ouro"

Expo 98


Comprei-a. 
Estava numa montra 
aqui em Ponta Delgada.

200$ por 1,5€
ainda não a tirei do pacote.

Em fundo, uma árvore de Goiabão

Saudade

Aqui está tão bem expressa
aquela saudade que tenho sempre de uma terra que em pormenor é o Redondo,  a média escala o Alentejo, e em maior, o continente. Até Espanha está incluída. Enfim, o que me falta é o sequeiro...
O sequêro....!

Amália a cantar José Régio:

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro.
Vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.


A Aposta


Freguesia da Ponta do Pargo, Calheta

Vocês sabem o que é a felicidade? Anda muita gente à procura dela, mas nem toda a gente a encontra. No entanto conhecia-se no Porto do Moniz um casal - a Tia Narcisa e o Tio Norteiro - que chegaram à muita idade sem terem tido uma zanga, por pequena que fosse. Era o casal mais feliz e amigo de toda a ilha. De toda a ilha? Ora, de todo o mundo!

Felizes eram, mas também pobres, muito pobres. E foi preciso tomar uma decisão importante para resolver o problema da pobreza. Foi preciso mesmo vender a vaquinha que eles tinham alimentado durante muito tempo. E lá foi o Tio Norteiro para os lados da Ponta do Pargo procurar comprador.

Ali chegado, um pargueiro, armado em engraçado, virou-se para o Tio Norteiro e perguntou-lhe:
- Quer trocar essa vaca por uma cabra?
E o Tio Norteiro:
- Ora, então não hei-de trocar?

E fez-se a troca, mais adiante apareceu um pastor que lhe trocou a cabra por uma ovelha. E não tardou que aceitasse trocar a ovelha por um galo. Depois, apertando-lhe a fome, vendeu um galo e comprou um pão. Regressou então a casa. Estava já o Tio Norteiro perto de casa e encontrou um vizinho que lhe perguntou:
- Então, ti Norteiro, fez bom negócio?
- Deixa-me lá, não trago um pataco furado!
E contou o que se passara. Logo o vizinho comentou:
- Ai, a ti Narcisa vai dar-lhe uma malha!
- Uma malha?! - Admirou-se o ti Norteiro.
- Com tanta asneira que fez, aposto o dinheiro da vaca em como a Tia Narcisa se vai zangar a valer!
- Bem, não sei. Como insistes, aceito a aposta, anda daí.

E à chegada a casa, o vizinho assistiu à cena:
- Então, sempre vendeste a vaca? -  perguntou a Ti Narcisa.
- Troquei-a por uma cabra.
- Foi o melhor que fizeste. Dá leite e não dá tanto trabalho.
- Mas troquei a cabra por uma ovelha.
- Ainda melhor, pois dá leite e lã!
- Olha troquei-a depois por um galo.
- Pronto, já temos com que acordar para a missa de domingo!
- Mulher, mas deu-me a fome, vendi-o e comprei um pão para comer.
- Fizeste muito bem! Não ias ficar com fome e com um galo na mão!
E o vizinho, admiradíssimo com a bondade da Ti Narcisa, de bom grado pagou a promessa e andou a contar a história a toda a gente!

em "Contos Populares das Ilhas da Madeira e do Porto Santo", José Viale Moutinho, editora Nova Delphi

Rabo de Peixe


Hoje fui a rabo de peixe filmar rabo-peixenses e foi lá que descobri as pessoas mais simpáticas e dedicadas do mundo inteiro. Se virem jogos de futebol no campo de Rabo de Peixe, reparem nos apanha-bolas. Têm coletes que dizem "Wembley Stadium", porque foi o Burrica que os trouxe de lá quando viveu em Inglaterra, durante quatro anos. Ele não os comprou, mas ofereceu-os todos :)